Archive for agosto, 2009


TRIUNFO DA MEDIOCRIDADE ARQUITETÔNICA

posted by Jary Cardoso @ 10:02 PM
17 de agosto de 2009
Fachada do Aero Clube Plaza Show. Foto: Xando Pereira | Agência A Tarde – 7.4.2008

Fachada do Aero Clube Plaza Show. Foto: Xando Pereira | Agência A Tarde – 7.4.2008

LÍDICE EXPLICA O LANCE DO AEROCLUBE

ANTONIO RISÉRIO

Em meio a um artigo indignado sobre a situação da cidade, que publiquei aqui neste jornal[*], no primeiro sábado deste agosto, bati pesado em minha querida Lídice da Mata, disparando de cara, sem maiores floreios: “Lídice deixou que fizessem aquela porcaria do Aeroclube”. Pois bem. Ela me enviou uma carta, respondendo. Ou, antes, esclarecendo o que aconteceu naquela parada. Desde que a carta não cabe neste espaço, faço um resumo do que li, com citações.

Lídice diz que, quando assumiu a prefeitura, a administração anterior já havia realizado um “concurso nacional de idéias” para ocupação da área do Aeroclube, com apoio de várias “entidades democráticas”, entre elas, o Instituto de Arquitetos do Brasil. “Dois famosos arquitetos baianos venceram a disputa”, informa Lídice. “Nosso governo teceu críticas ao projeto. Abrimos novo debate público. Mas nossa iniciativa provocou uma mobilização nacional dos IABs de diversos estados, além de sua diretoria nacional”. Todos se manifestaram contra a possibilidade de uma anulação do concurso. “Decidimos então apenas discutir os parâmetros de elaboração para o edital de concorrência pública nacional para a área”.

“Estabelecemos limites e garantimos que apenas um terço da área teria exploração privada. Claras determinações de formação do Parque Público dos outros dois terços restantes da área estão expressas no contrato realizado. Deixamos pronta na Prefeitura uma maquete de uma concha acústica projetada por Oscar Niemeyer para ser construída no local”.

Ainda Lídice: “Desde que a Câmara de Vereadores autorizou e o empreendimento vencedor foi lançado para o mercado, passamos a viver uma verdadeira guerra jurídica promovida por interessados em impedir que a obra fosse concluída em minha gestão. A batalha judicial arrastou-se por dois anos. Mesmo assim, realizamos, naquela área, obras de infra-estrutura para garantir a reconfiguração ambiental original e a recuperação dos pequenos morros existentes até hoje, além da macro-drenagem, ciclovia, grama, plantio de árvores, de acordo com o que era determinado pelo concurso nacional de idéias”.

E mais: “Terminamos a gestão com o impedimento legal da implantação do empreendimento pelo Tribunal de Justiça baiano, situação só superada na administração seguinte. Aliás, o fato curioso disto é que, já deputada estadual, tomei conhecimento de que o governo da época solicitou dos empreendedores que não citassem o meu nome durante a festa da inauguração”.

Situação desoladora no Aero Clube Plaza Show. Sem freguesia, lojas fecharam e algumas entraram em reforma. Foto: Xando Pereira | Agência A Tarde

Situação desoladora no Aero Clube Plaza Show. Sem freguesia, lojas fecharam e algumas entraram em reforma. Foto: Xando Pereira | Agência A Tarde

Bem. Fica aí o esclarecimento para quem, como eu, não sabia dessa história. Aquela porcaria do Aeroclube (tenho outros modos bem menos simpáticos e tolerantes de me referir àquilo) não é coisa de Lídice. Tem outro dono – ou donos. Mas gostaria, ainda, de fazer uns comentários laterais à carta.

Que uma coisa tão ruinzinha como aquela tenha vencido um “concurso nacional de idéias”, é atestado espetacularmente definitivo do triunfo da mediocridade arquitetônica em nosso país. Idéias? O que há, ali, é justamente a materialização mal ajambrada da falta de uma idéia! Quem terá participado do júri? Gostaria, também, de saber quem são os “dois famosos arquitetos baianos”, para a gente escolher o local mais adequado da cidade onde erguer um monumento a ambos. Por fim, esplêndido o lance da obra de Niemeyer. Se realizada, seria para a eterna humilhação estética do que foi feito.

No meu artigo, eu dizia também da existência de um projeto maravilhoso de João Filgueiras Lima, o Lelé, para o local. Lídice, em sua carta, disse que nunca teve conhecimento do projeto. É uma pena. O projeto é de 1986. Dá vontade de passar horas contemplando a maquete. Com uma cobertura de concreto e outra, bem maior, de lona translúcida, sustentada por cabos de aço ancorados em mastros metálicos.

Vista do mar, a figura total da edificação é como se a areia da praia se ondulasse numa duna alvíssima, high-tech. Um show de inserção ambiental. Delicadeza e precisão extremas. Com espaços para lazer, feiras, escritórios, etc. E um surpreendente Museu do Mar, completando-se num aquário com um túnel dotado de visores de vidro, permitindo curtições visuais sub-aquáticas. Isto, sim, é uma verdadeira e forte idéia arquitetônica. Dá para sentir a diferença?

*O artigo indignado de Risério, “Vamos mostrar ao prefeito a saída?”, foi publicado originalmente no jornal A Tarde em 1º de agosto de 2009 e reproduzido no Jeito Baiano:

http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/08/01/vamos-mostrar-ao-prefeito-a-saida/


CIDADE DA BAHIA MERECE RESPEITO

posted by Jary Cardoso @ 9:05 PM
17 de agosto de 2009
Este autêntico barraco de favela, que pretende ser uma "barraca de praia", está instalado na areia de Piatã, em Salvador. Foto: Marco Aurélio Martins | Agência A Tarde – 25.1.2009

Este autêntico barraco de favela, que pretende ser uma "barraca de praia", está instalado na areia de Piatã, em Salvador. Foto: Marco Aurélio Martins | Agência A Tarde – 25.1.2009

QUALIFICAR NÃO É VENDER

 

por ZÉDEJESUSBARRÊTO

 

Em afazeres, passei três dias hospedado num hotelzinho em Copacabana e danei-me a matutar acabrunhado. O bairro da afamada praia continua aconchegante. Moradia, serviços e turismo. Corresponderia, mal comparando, à nossa Barra de tanta história. A grande diferença nem é a beleza, lá e cá magníficas. O xis é a tal urbanidade.

Copacabana é limpa, civilizada e segura. Anda-se pelas avenidas e calçadões sem o assédio de pedintes e vendedores, sem tropeçar em drogados pelo chão, sem engradados, isopores, lixões, fogareiros, tabuleiros, mau cheiro. Nada de barraca, mesa, tamborete ou cadeira sobre a areia. Os quiosques, asseados, ficam sobre as calçadas, espaçados, com cardápio e atendimento decentes, proteção do sol e total visão do mar.

Nenhuma caixa de som, samba ou pagode na rua. Não vi um só carro com fundo aberto aos berros. Nos calçadões, áreas bem delimitadas para caminhada e ciclistas. Idosos passeiam à noite. Policiamento eficiente e discreto. Há locais definidos na praia para o vôlei, futevôlei e frescobol, com redes de proteção para que banhistas não tomem boladas. Chuveiros, sanitários decentes e sem bafo, guarda-vidas em locais bem visíveis… Enfim, serviços sem bagunça e todos cientes dos limites da sadia convivência humana.

Enquanto andava, apreciando as coisas, vieram-me lembranças de nossa cidade, Mãe Preta tão maltratada. Da esculhambação que é hoje o Porto da Barra, os shows inconcebíveis diante do Farol, o arriscado ‘puteiro’ que se tornou o bairro, à noite. Perguntei-me, a quantos verões vivemos o impasse da tal ‘reforma’ da orla atlântica com aquelas barracas, pardieiros vergonhosos.

Recordei-me então do deprimente passeio que ousei, numa tarde de sábado, entre a Sereia e o acarajé de Cira, em Itapuã. O barulho absurdo dos sons embolados saídos da cada barraca; a sujeira, o fedor de marisco passado, a barreira de engradados, das paredes encardidas dos ‘restaurantes’ gradeados e bodegas imundas que tapam a visão do mar; os andantes tropeçando no lixo, driblando tamboretes, mesas e cadeiras sobre a calçada esburacada; o assédio por trocados a cada passada; a praça Dorival Caymmi atulhada de camelôs, a igrejinha fechada, por medo e tristeza.

Não se trata de detalhe de um trio elétrico. É apenas um automóvel equipado com potente aparelhagem de som para "animar" o lazer dos soteropolitanos... Foto: Fernando Vivas | Agência A Tarde – 30.11.2006

Não se trata de detalhe de um trio elétrico. É apenas um automóvel equipado com potente aparelhagem de som para "animar" o lazer dos soteropolitanos... Foto: Fernando Vivas | Agência A Tarde – 30.11.2006

 

O baiano ‘véi’ quedou-se cabisbaixo: O que estão fazendo com a cidade amada?

Em tempo, senhores do poder: Requalificar a cidade não significa ‘vender bem’ a Bahia para os de fora. Não será com provas de Stock Car ou F-Indy que vamos dignificar Salvador. Refiro-me a cuidados mínimos com a urbe, atenção à história, patrimônio e cultura do povo. Civilidade, respeito humano, educação, qualidade de vida. Cidadania! A Mãe-Preta merece. Seus filhos carecem.

Revendo Copacabana compreendo o porquê de o Rio, mesmo com a evidente desigualdade e a violência localizada das gangues, continuar como o maior pólo turístico do Brasil.

 

zédejesusbarrêto, jornalista (zedejesusbarreto@uol.com.br)

10ago/2009.

 

Depois que este artigo saiu publicado na página de Opinião do jornal A Tarde, de Salvador, no domingo dia 16, o autor recebeu, até esta segunda-feira, um total de 16 e-mails e mais de 10 telefonemas, o que o levou a fazer o seguinte comentário:

Foi uma unanimidade de identificação com o tom das palavras. A maioria dos e-mails era de pessoas desconhecidas, alguns repassando o texto para amigos, mesmo fora do país. Mais do que envaidecer-me, as mensagens, todas, me afligem, apontam feridas: a nossa cidade-mãe-amada está doente e mal cuidada. Ou seja, precisamos de vera incrementar o debate sobre o que está acontecendo com a cidade!!!


CACHOEIRA DA BOA MORTE

posted by Jary Cardoso @ 10:37 PM
13 de agosto de 2009
Integrantes da Irmandade da Boa Morte no primeiro dia da festa deste ano, em Cachoeira. Foto: Reginaldo Pereira | Agência A Tarde 13.8.2009

Integrantes da Irmandade da Boa Morte no primeiro dia da festa deste ano, em Cachoeira. Foto: Reginaldo Pereira | Agência A Tarde 13.8.2009

por ZÉDEJESUSBARRÊTO*

 

É no presépio plantado às margens do Paraguaçu, recôncavo baiano, que se abriga uma das maiores relíquias afrobaianas:

A irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte.

Um exemplo de resistência e de identidade de um povo que, mesmo diante da voracidade destes tempos digitais, preserva seus costumes ancestrais à base da tradição oral.

Geração a geração.

Manifestação também do mais puro sincretismo religioso baiano, memória dos tempos de escravidão, quando os batuques da noite ecoavam nos altares das igrejas e os cânticos das procissões complementavam as obrigações dos terreiros jêje-nagôs, entre plantações de fumo e canaviais.

A secular irmandade da Boa Morte, de acordo com os estudiosos e os costumes, é uma confraria exclusivamente feminina fundada na Igreja da Barroquinha, em Salvador, ainda no século XVIII, por africanas libertas nagôs (iorubanas, vindas do Benim/Nigéria) e vinculadas ao candomblé.

O termo ‘Boa Morte’ é uma referência à crença católica de que Maria, a mãe de Jesus, não morreu, apenas dormiu e seu corpo teria sido levado aos céus pelos anjos de Deus.

Trata-se da chamada Assunção de Nossa Senhora, um mistério de fé que a igreja católica celebra com pompas litúrgicas no dia 15 de agosto, a data da missa solene e da grande procissão dos festejos da irmandade das negras de Cachoeira.

O culto à chamada ‘boa morte’ ou ‘dormição de Maria’ já existia desde as origens católicas no Brasil, trazido pelos portugueses e materializado em imagens e templos dedicados a Nossa Senhora da Glória ou da Vitória.

A ‘glória’ e a ‘vitória’ sobre a morte.

Para as negras nagôs, no entanto, o culto a Nossa Senhora, a Virgem Maria que não morreu e subiu aos céus, nunca significou uma negação da tradição e da fé ancestral nos Orixás (ketu/nagô) ou Voduns (jêje/nagô) africanos.

Tanto que, em torno de 1830, essas corajosas e libertárias mulheres (Yás) fundaram bem nos fundos próximos da igreja da Barroquinha um terreiro dedicado a Xangô (o rei de Oyó, sítio nigeriano), denominado Iyá Omi Axé Airá Intilé, considerado como um dos primeiros dos candomblés nagôs da Bahia, que deu origem à Casa Branca, ao Gantois e ao Axé Opô Afonjá.  

 A essa época, Salvador, a Cidade da Bahia, formigava de negros (boa parte nagôs, de língua iorubá) e os malês (nigerianos nagôs islâmicos) lideravam revoltas que inquietavam os poderosos da cidade, dando razões ao recrudescimento da intolerância étnica e religiosa, abrindo espaços e ‘justificando’ uma onda ainda maior de repressão contra os negros africanos escravizados e seus descendentes na capital baiana.

O quadro social de violência e de ameaças contra quaisquer manifestações dos negros tangeu mais tarde o terreiro de Xangô das proximidades da Igreja da Barroquinha e do centro da cidade, e dispersou muitos agrupamentos africanos em toda a área urbana. Assim, muitos desses afro-descendentes, os mais aquinhoados, retornaram à África. Outros, de pouca ou nenhuma posse, fugiram para o mato, esconderam-se nos arredores da urbe. Ou tomaram o rumo do recôncavo, onde se agregaram ao cultivo de roças, à labuta no cais e atracadouros de saveiros, puseram-se a serviço nas casas-grandes, nos engenhos de cana, no plantio do fumo, no serviço avulso de ganho, ou ainda sobreviveram no exercício de pequenos ofícios, aqui e acolá.

E teria sido assim, conforme relatos e estudos, que valentes mulheres nagôs, muitas de origem e herança jêje (de língua fon, do antigo Daomé, hoje Benim) levaram a devoção de Nossa Senhora da Boa Morte até vários sítios do recôncavo.

FESTA DA IRMANDADE DA BOA MORTE - Cachoeira. Foto: Fernando Vivas | Agência A Tarde 15.8.2008

FESTA DA IRMANDADE DA BOA MORTE - Cachoeira. Foto: Fernando Vivas | Agência A Tarde 15.8.2008

 

Somente resistiu ao tempo e preservou-se tão imponente até hoje a Irmandade da Boa Morte de Cachoeira, um dos maiores portos da região, escoadouro maior da riqueza do recôncavo para a capital.

Lá, à beira do Paraguaçu, nas encostas das suas margens, a fé em Maria e o culto jêje a Nanã (Vodum mais velho das águas, dos pântanos) e a Dã (a cobra, o arco-íris) permaneceram, lado a lado, bem vivos.

Como sempre aconteceu desde aqueles tempos, a prática dos rituais de devoção a Maria, mãe de Jesus, dormida e gloriosa, acontece todo mês de agosto e atrai muita gente, até do exterior, pela sua tradição e riqueza históricas.

Os rituais misturam reza de terço, ladainhas, cânticos, missas solenes, procissões, comilanças, danças e festanças populares com cerimônias, batuques e obrigações secretas nas madrugadas dos terreiros, cultuando com a mesma intensidade e fé em Maria, a Nanã Buruku, mãe de Exu e Omolu na tradição ancestral africana, e Dã, a serpente sagrada dos jêjes.  

O povo participa dos festejos onde acontecem jantares com comidas sagradas do culto afro; extasia-se com a beleza das cerimônias religiosas católicas de tons medievais, os trajes afro-tradicionais, os adereços ricos e raros das mulheres da irmandade garbosas em suas roupas ora brancas, ora coloridas, torços, colares, joias, balangandãs e panos da Costa. Um luxo!

São mulheres idosas, algumas com mais de 90 anos, todas descendentes de escravos.

Reza a tradição passada de mãe pra filha e cumprida rigorosamente, que só entram na irmandade mulheres acima de 45 anos, depois de arrefecido ‘o fogo’ da sexualidade.

A irmandade, que mantém sede, estatutos, regras, obrigações e hierarquia definidas sobrevive de doações arrecadadas na comunidade pelas iniciadas, de algum auxílio dos poderes públicos – que, afinal, se beneficiam da tradição que atrai turistas do mundo inteiro, principalmente dos Estados Unidos – e da ajuda de algumas organizações internacionais, como universidades que estudam/pesquisam essas manifestações históricas e populares.

As dificuldades para a preservação dos costumes são enormes e as relações com as autoridades da igreja católica nem sempre foram ou são fraternas, apesar dos anos de convivência.

Mas a Irmandade da Boa Morte resiste.

Como escreveu o antropólogo e professor Sebastião Heber Vieira Costa, autor do livro ‘A Irmandade da Boa Morte e o Ícone da Dormição de Maria’:

A expressão afro dessa festa, na sua interpretação da crença cristã, é exuberante, plástica e mística. As irmãs não se ‘apresentam’ apenas uma vez por ano, mas vivem o seu dia-a-dia em torno do evento, que se projeta nas suas vidas. É como se quisessem entrar, mergulhar no movimento morte-vida que a festa celebra. É como se todas tivessem celebrando as suas próprias ‘boas mortes’ que a primeira, a de Maria, quer, de algum modo, anunciar’.

 

Procissão em louvor a Nossa Senhora da Glória, em Cachoeira, Bahia. Foto: Fernando Vivas | Agência A Tarde 15.8.2008

Procissão em louvor a Nossa Senhora da Glória, em Cachoeira, Bahia. Foto: Fernando Vivas | Agência A Tarde 15.8.2008

No final, como tudo nesta Bahia do bom Deus, tudo acaba numa grande festança pelas ruas de Cachoeira:

Exibições de manifestações folclóricas com capoeira e maculelê, muito samba-de-roda (patrimônio da humanidade) e chula de terreiro.

A ‘morte’ vira uma festa.

A Boa Morte!

*zédejesusbarrêto, jornalista e estudioso de baianices.

13 de agosto/2009



Grupo A TARDE

empresas do grupo

jornal a tarde | a tarde online | a tarde fm | agência a tarde | serviços gráficos | mobi a tarde | avance telecom | massa!

iniciativas do grupo a tarde educação | a tarde social


Rua Prof. Milton Cayres de Brito n° 204 - Caminho das Árvores - Salvador/BA, CEP-41820570. Tel.: 71 3340-8500 - Redação: 71 3340-8800


Copyright © 1997 - 2010 Grupo A TARDE Todos os direitos reservados.