Archive for junho, 2010


ESTÁ ERRADO DEMOLIR A FONTE NOVA

posted by Jary Cardoso @ 7:00 PM
27 de junho de 2010

Foto de FERNANDO VIVAS (Agência A Tarde) tirada em 21 de junho de 2010, o dia em que começou a demolição da parte inferior do Estádio da Fonte Nova, em Salvador

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texto de ANA FERNANDES*

(escrito em 25 de junho de 2010)

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Argumentos de toda ordem têm sido levantados por diversos autores e entidades para mostrar que a demolição da Fonte Nova é inadequada e descabida enquanto decisão de política pública para Salvador e para a Bahia. Projeto equivocado, produção desmesurada de lixo, desperdício de recursos públicos, comprometimento severo do tesouro estadual, afronta ao patrimônio histórico, cultural e ambiental, incompatibilidade do tipo de espaço proposto com o cotidiano social e esportivo da cidade são apenas alguns dos vários questionamentos já aventados.

Ou seja, para usar o jargão atual, o programa que ali se propõe construir é insustentável, com redução drástica da utilização esportiva do estádio, substituindo um complexo olímpico por uma arena de luxo.

Foto de FERNANDO VIVAS | Agência A Tarde – 21.6.2010

Vale lembrar o contexto no qual a Fonte Nova foi concebida.

Num dossiê do início dos anos 40, intitulado “Praça de Esportes da Bahia, Sugestões para a Organização do Departamento Estadual de Educação Física”, Mário Leal Ferreira, reconhecido por seu importante trabalho frente ao EPUCS (Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador), assim escreve:

“As obras do Estádio em construção na capital da Bahia fazem parte de um conjunto de instalações destinadas ao desenvolvimento do programa de atividades educacionais a ser posto em prática por um novo órgão do governo, que será criado no devido tempo, sob a denominação de Departamento Estadual de Educação Física”.

Continua ele: o projeto, com a “firme determinação de assegurar, à educação física e à prática dos esportes, legítimas características cívico-sociais, visará o desenvolvimento harmonioso das qualidades físicas, morais e intelectuais do indivíduo – penhor de alegria, felicidade e eficiência, na paz, e de intrepidez e fortaleza de ânimo, nas grandes emergências. Procurará, assim, associar, intimamente, a recreação do espírito ao exercício do corpo, de modo a interessar indivíduos de todas as idades, condições sociais e educação, despertando neles o elevado e comum anseio de uma vida mais forte e digna de ser vivida.”

Embora bastante focada também em ideais de eugenia, que serão correta e severamente criticados nas décadas seguintes, há de se destacar três valiosos pontos nessa proposta.

Primeiro, ela insere o esporte na política de educação, integrando-o à política de desenvolvimento do estado.

Segundo, é universalista, e busca atingir toda a população.

Terceiro, introduz valores imateriais na condução da coisa pública, como alegria, felicidade, intrepidez.

Dessa política resultou uma feliz resolução plástica do estádio, particularmente em termos de sua integração à paisagem. União de espírito público com modernidade de pertencimento e sintonia com o mundo.

Foto de FERNANDO VIVAS | Agência A Tarde

Quais as justificativas que vêm sendo divulgadas para a demolição da Fonte Nova? Exigências da Fifa, criação de centro de negócios, construção de shopping center, centro empresarial, camarotes, salas e acessos vip, estacionamentos a granel, arena monofuncional.

Rigorosamente, um programa de obras, que, neste caso, nada tem a ver com o esboço de uma política pública para os esportes e para o desenvolvimento da Bahia.

A Copa pode também ser acolhida em Salvador, e com ela seu suposto corolário de investimentos, com a recuperação da Fonte Nova, ao invés de sua demolição. O plano de negócios e de compromissos certamente poderá ser refeito, tendo em vista o que está em vias de acontecer em outras cidades e tendo em vista o compromisso social e público das empresas envolvidas, como recorrentemente explicitado em colunas semanais desse mesmo prestigioso jornal.

E o Ginásio do Balbininho já veio abaixo. Foto de FERNANDO VIVAS | Agência A Tarde – 21.6.2010

Como educadora, resisto muito a utilizar o erro como classificação de propostas muitas vezes incongruentes dos estudantes, dado que o erro é uma forma legítima de exploração do aprendizado e, muitas vezes, de criação. No entanto, dado que no presente caso a experimentação é já a destruição, só me resta afirmar: está errado demolir a Fonte Nova. E perguntar: que legado público – e não apenas privado – se quer deixar para a cidade do Salvador e para a Bahia, no pós-2014?

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*Ana Fernandes – Professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia e membro do Conselho Estadual de Cultura da Bahia

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NOTA DO EDITOR – O artigo acima da Profª. Ana Fernandes foi publicado originalmente em Opinião de A Tarde neste sábado, 26 de junho de 2010. Já o texto abaixo, outro que enfoca o destino do Estádio da Fonte Nova, de autoria de zédejesusbarreto, também saiu dez dias antes nessa mesma página do jornal baiano.

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Nossa Copa já

começa em julho

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texto de zédejesusbarreto*

(escrito em 14 de junho de 2010)

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Vendo, por fanatismo, o ‘clássico’ Eslovênia x Argélia pela Copa da África, ‘babinha’ nada superior a um Feirense x Ipitanga – perdoem-me os simpatizantes desses timaços baianos –, dei-me conta de que são esses joguinhos classificatórios de tabela de Copa que presenciaremos na tal ‘Arena’ da Fonte Nova que está por vir.

Aliás, para melhor entendimento, vão demolir/implodir a Fonte Nova, arte do grande Diógenes Rebouças, com consultoria de Niemeyer, e gastar bilhão pra plantar no mesmo lugar uma tal ‘arena multiuso’, estilo holandês-germânico, com o fim de abrigar uns três ‘clássicos’ desse naipe, entradas a preço de Barcelona X Inter de Milão. É isso, não nos enganemos. Depois, fica o ‘colosso’ do elefante pra gente alimentar.

Falando em Copa, o secretário especial Ney Campello está na África do Sul. Diz ele que observando as coisas, o funcionamento dos estádios, comportamentos, para que a Bahia não faça feio em 2014. Tá bom! Quantos na comitiva? Quem banca o ‘rolê’?

O pessoal da natação espera a piscina olímpica prometida, para que possa treinar de olho nas Olimpíadas de 2016, no Rio. Porque o que fizeram até então na Fonte Nova foi desalojar Bobô e sua turma, fechar as piscinas e fazer um cercadinho no entorno do estádio pra dizer que há obras.

A questão da Fonte Nova ainda vai ‘render buxixo’ até a arena existir.

O que parece mais encaminhado em termos de projetos urbanos, visando a questões de infraestrutura e mobilidade/transporte, é a opção pelo sistema BRT-Bus Rapid Transit, de buzus articulados em vias segregadas rasgando o miolo da avenida Paralela, ligando o aeroporto ao Acesso Norte/ estação do Metrô.

Acordam os técnicos da prefeitura, governo e sindicato dos empresários de ônibus que é a solução mais barata e possível para resolver de imediato o gargalo Paralela-Iguatemi. Seria um começo de modernidade no âmbito do transporte de massa na cidade.

É só o que temos, por enquanto, para a Copa do Mundo 2014 na Bahia, que começa já, neste meado de julho próximo, quando acaba a Copa Africana. Ganhe ou perca a seleção do tenente Dunga.

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*zédejesusbarreto Jornalista e escrevinhador

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OUTRA NOTA DO EDITOR – O grande zédejesusbarreto já anunciava, em texto escrito em 25 de novembro de 2009, o “Réquiem do Estádio da Fonte Nova”, que foi publicado originalmente em Opinião de A Tarde e reproduzido pelo blog JEITO BAIANO. Veja o link:

http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/11/26/requiem-do-estadio-da-fonte-nova/

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O OLHAR CRÍTICO DE DIMITRI GANZELEVITCH

posted by Jary Cardoso @ 6:00 PM
26 de junho de 2010

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NOTA DO EDITOR – Seguem três textos em que o baiano-marroquino Dimitri Ganzelevitch lança sua visão crítica sobre a Cidade da Bahia de hoje em dia. Os artigos foram publicados originalmente em Opinião do jornal A Tarde.

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Para um Museu

de Cultura Popular

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texto de DIMITRI GANZELEVITCH*

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E nossa cultura popular? Alguém pode informar qual órgão se dedica especificamente a ela? Apostamos que não. Não existe, em todo o Estado da Bahia, um único espaço reservado à documentação, memória e resgate das expressões culturais do povo baiano. Em exposição encontrar-se-ão, talvez, umas poucas peças de caráter comercial no Instituto Mauá, muitas vezes sem especial relevância e com total deficiência de pesquisa.

A italiana arquiteta Lina Bo Bardi bem que tentou constituir, no início dos anos 60, um acervo de qualidade. A ditadura militar e o evidente desinteresse dos governantes locais por qualquer coisa que não tivesse o glamour europeu ou norte-americano relegaram o acervo aos porões do Solar do Unhão, e não se falou mais nisso.

Temos algo comparável à pernambucana Fundação Joaquim Nabuco, ao carioca Museu do Folclore Edson Carneiro, ao mineiro Museu de Artes e Ofícios? Nada! A coleção Pardal de carrancas hoje pertence a um colecionador português.

A maioria dos centros de olaria do Recôncavo e do Interior, fossilizada, está sobrevivendo no ostracismo. As rendeiras de Saubara só podem contar com uma Márcia Ganem, dentro de seu potencial de mercado. E os outros? Os que fabricam brinquedos, apetrechos de couro, cestas, mocós e balaios, montarias para jegues e cavalos, ferramentas? E as expressões e iniciativas privadas, que podemos rotular de artes espontâneas: gravadores, escultores e pintores que, sem o mínimo apoio, acabam massificando a produção para o predador mercado de turismo?

Precisamos documentar, sem mais demora, as danças, as procissões, as rezadeiras, as festas de largo, os curandeiros, os fazedores de máscaras, as lendas e crenças, o cancioneiro dos morros, das praias e da caatinga, os carnavais, as receitas tradicionais – passando por conventos, mosteiros, ocas e terreiros – as pinturas dos caminhões e carroças, o delicado e forte emaranhado dos vendedores ambulantes, tanto urbano como interiorano, os garimpeiros, pastores e boiadeiros.

Temos um material tão rico e tão ignorado! Respeitar um povo é também respeitar suas expressões. Sua essência.

Salvador, 21 de junho de 2010

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Entre cartão postal e entulho

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texto de DIMITRI GANZELEVITCH*

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Não podemos sonhar em viver numa gravura de Debret ou num cartão postal do princípio do século XX. Seria pretensão desvinculada da realidade e em absoluta contracorrente à evolução da sociedade. No entanto, os marcos da história devem permanecer evidenciados, pontuando nossa memória e permitindo referências e símbolos civilizatórios.

Já beirava os quarenta anos quando cheguei a Salvador, mas logo edifícios e monumentos formaram à minha volta uma teia de fortes laços com a cidade. Como qualquer cidadão para quem a cultura é tão importante quanto comer e respirar – faço parte de uma espécie em via de extinção –, aprendi a reconhecer a individualidade desta cidade ao passar por seus pontos mais significativos.

E a cada derrubada, sofri como a morte de algum amigo. O belo templo anglicano do Campo Grande, os solares do corredor da Vitória, os casarões da Soledade, a mansão dos Correia Ribeiro e a Vila Serena na Ladeira da Barra… Mais tarde a descaracterização da residência do arcebispo – tiraram da fachada os azulejos do século XIX para colocar cerâmica de sanitário público! –, a derrubada da elegante torre que parecia benzer a Avenida Contorno e a violenta agressão, num fim de semana, à mansão Wildberger foram alguns dos tristes momentos que marcaram estes 35 anos.

Não pretendo falar de tantas outras agressões na Ribeira, Boa Viagem ou Saúde. Os furos na canoa são inúmeros. Será que a cidade não pode evoluir sem negar seu passado?

Agora temos o absurdo da demolição da Fonte Nova, obra ímpar de Diógenes Rebouças para um evento que deverá durar o tempo de uma rosa, deixando uma montanha de entulho em algum esconderijo dos arredores da capital e novas dores de cabeça em manutenção, segurança e transportes. Na mesma vassourada, pretendem eliminar sem remorso a piscina olímpica e o Balbininho.

Será que essa obra megalomaníaca [a nova Fonte Nova] é mesmo indispensável, ou é mera atitude de pretensa modernidade? Fora as costumeiras construtoras que, melhor que alquimista medieval, sabem transformar a areia em ouro, quem irá realmente lucrar com o gasto? O contribuinte soteropolitano?

Salvador, 7 de junho de 2010

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As lindas fogueiras

de São João

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texto de DIMITRI GANZELEVITCH*

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Celebrando o solstício de verão nos países europeus, as fogueiras são muito anteriores à festa cristã de São João. Aqui, hemisfério sul, louvamos o solstício de inverno na noite mais longa do ano. A partir do dia seguinte, ela começará a encurtar, os dias a alongar.

As fogueiras têm sido, especialmente no Nordeste, elemento indispensável à festa. E como são gostosos os quitutes – canjicas, tortas e bolos, licores etc. – que cada família, mesmo a mais humilde, oferece ao visitante em torno da fogueira!

Mas vejamos o outro lado da medalha.

Pesquisadores avaliam a meros 20 milhões o número de habitantes no planeta, nos séculos X e XI. Densas florestas cobriam a quase totalidade do globo e, na Europa medieval, lobos e ursos rondavam os vilarejos. A neve, os ventos gelados e a fome, frequente até a descoberta do Novo Mundo, eram dura realidade. A partir do São João, voltava a esperança de colher frutos, semear, abrir as janelas e viver em harmonia com a natureza. Para festejar a noite de São João, era fácil encontrar galhos e troncos caídos.

Hoje temos quase 7 bilhões de habitantes devorando as reservas naturais do planeta, a maioria por necessidade de sobrevivência. Cada árvore tornou-se uma raridade digna de todos os cuidados. Então, como aceitar o massacre de resquícios de matas para alimentar milhares e milhares de fogueiras? Quem viajar pela Bahia afora, ficará assombrado ao constatar os montes de árvores, recém cortadas, comercializados na beira das estradas.

Nossa sociedade tem que se conscientizar: certas tradições, por lindas e poéticas que sejam, podem ter consequências desastrosas sobre o meio ambiente e afetar o futuro da humanidade.

E na cidade – estou pensando em particular no Centro Histórico de Salvador – as fogueiras ameaçam resultar em incêndios devastadores. Com a maioria das casas construídas em estrutura de madeira, a mais discreta faísca poderá acabar com um quarteirão inteiro em 15 minutos.

Vamos adequar estas tradições à nossa realidade?

Salvador, 20 de maio de 2010

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*Dimitri Ganzelevitch – Presidente da Associação Cultural Viva Salvador

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A CIDADE DA BAHIA E O SEU RECÔNCAVO

posted by Jary Cardoso @ 5:00 PM
26 de junho de 2010

Ilustração de GENTIL

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texto de ANTONIO RISÉRIO*

(publicado originalmente em Opinião do jornal A Tarde, em 26.6.2010)

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Me referi de passagem aqui, em artigo sobre o projeto da ponte ligando Salvador e Itaparica, a uma antevisão do sociólogo Luiz de Aguiar Costa Pinto: a Cidade da Bahia e o Recôncavo se encaminhando para configurar a Região Metropolitana de Salvador. O governador do Estado fala hoje da ponte Salvador-Itaparica privilegiando a perspectiva da conexão com Camamu e o “baixo sul” (algum geógrafo, aliás, bem que poderia me explicar: Camamu-Tinharé, para mim, são o alto sul; o baixo sul ficaria para Alcobaça, Prado, Nova Viçosa, etc.). Mas, de modo mais imediato, temos a integração da capital e seu Recôncavo, numa área de cerca de 10 mil km², se não me falha a memória. Aliás, a BR-242, da qual a ponte deverá ser o quilômetro zero, passa por cidades que ficam no coração do Recôncavo. E, por isso, me referi a Costa Pinto – segundo Darcy Ribeiro, a maior e mais genuína vocação de sociólogo que o Brasil já conheceu.

A Cidade do Salvador e o Recôncavo nasceram juntos. Foram siameses. Ou, como diria Joyce, numa palavra-montagem do Finnegans Wake: “siamesmos”. Wanderley Pinho, em sua História Social de Salvador, enfatizava isso. Senhores de engenho tanto viviam nos canaviais quanto na cidade. Membros da Câmara de Salvador moravam em terras do Recôncavo. Escravos trocavam informações, fazendo levantes lá e cá. Terreiros de candomblé surgiram em Salvador, em Itaparica, em Santo Amaro da Purificação, em Cachoeira. Enfim, Salvador e o Recôncavo foram uma entidade integrada durante séculos. Isso só foi mudar muito recentemente. Quando as atividades de prospecção e refino do petróleo se deslocaram para cidades laterais ao miolo afrobarroco do Recôncavo. E, depois, com o Centro Industrial de Aratu e o polo petroquímico de Camaçari, que desviaram as coisas para o Recôncavo Norte, inchando Lauro de Freitas e cercanias.

Mas, antes disso, o que dizia Luiz de Aguiar Costa Pinto? No texto “Recôncavo: Laboratório de uma Experiência Humana”, nosso maior sociólogo (que tem, como seus pares, Milton Santos na geografia e Kátia Mattoso na historiografia) escreveu:

“Dois grandes fatores têm operado no sentido dessa unidade [do Recôncavo]: a Baía de Todos os Santos e a Cidade do Salvador. De fato, quer no plano estritamente geográfico, quer no mais largo sentido ecológico, o golfo tem sido o ponto focal de convergência da vida dos núcleos urbanos que em torno dele se desenvolveram; de outro lado, a Cidade do Salvador, mercado consumidor, centro político-administrativo, porto e porta de passagem dos contatos e relações com o mundo, é ponto dominante na região que margeia a baía e representa, no plano econômico, social e político, o núcleo de onde partem influências aglutinadoras sobre todo o Recôncavo, que tende cada vez mais a se transformar numa grande região metropolitana cercando a sua capital, com a qual mantém laços crescentes de comércio material, social e psicológico”.

O texto de Costa Pinto foi escrito em 1951 e reescrito em 1958. Por essa época, a conexão Salvador-Recôncavo, que vinha de inícios do século 16, começava a se desarticular. Não só pelo petróleo, é bom lembrar, como em nome de uma visão imediatista do processo baiano. Hoje, no entanto, temos a perspectiva de um reatamento. Salvador e o Recôncavo podem voltar a ser siamesmos. Aliás, acho que a nova universidade do Recôncavo poderia sair na frente dessa discussão, promovendo uma ampla releitura de escritos sobre o tema, como os de Costa Pinto e Milton Santos. Geografia e sociologia que ainda têm muito a nos ensinar.

E, aqui, volto ao tema do projeto da construção da ponte Salvador-Itaparica. A ponte pode ser a peça-chave de nossa reintegração física, econômica, social e cultural. O novo elo evolutivo que falta. Hoje, numa foto área, vemos que apenas uma parte do trabalho foi feita. A ponte do Funil faz o Recôncavo chegar a Itaparica. E a foto fica capenga. Falta fazer a outra e maior parte do trabalho. Temos Funil, temos Itaparica, mas cadê a ponte para ligar a ilha e Salvador, para completar o quadro?

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*Antonio Risério – Escritor

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