Archive for julho, 2010


A BAHIA COMO PÁTRIA DO HEDONISMO

posted by Jary Cardoso @ 11:35 PM
25 de julho de 2010

Recebi o seguinte comentário de Florisvaldo Mattos – poeta, jornalista, professor da Universidade Federal da Bahia – sobre a apresentação do blog Jeito Baiano contida no post imediatamente anterior a este:

Bonito texto, salutar e agradável conjunto de informações e análise. Viva a consagração nas esferas e estratosferas virtuais. Mas devia ter lembrado mais quem instituiu e perpetuou a Bahia como a pátria do hedonismo, a nação do ser cordial e da lição de viver, além de Caymmi e seus sempre reverenciados tropicalistas: na música (Humberto Porto, autor de “Jardineira”, o grande Assis Valente, de tantas consagrações de Carmen Miranda, e até o mineiro Ary Barroso, que viu na Bahia a terra da felicidade, Gerônimo, Edil Pacheco… só para citar estes); nas artes plásticas (o argentino Carybé, o sergipano Jenner Augusto, o primitivo João Alves, que durante décadas pintava seus quadros na Praça da Sé, Mário Cravo Jr. na escultura e seu filho MC Neto, fotógrafo de alta imaginação com as lentes voltadas para o candomblé, os tipos populares e as feiras livres); na literatura (Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Vasconcelos Maia) e, por fim, os grandes boêmios (Mirandão, consagrado por Jorge Amado em mais de um romance, Nino Guimarães, cronista de música popular, Jeovah de Carvalho, que frequentou todos os botequins e comeu mulheres visitantes de norte a sul, além de Ângelo Roberto, misto de boêmio e artista plástico). Tem também gente do cinema, do teatro, mas basta ficar por aí.

Pela colaboração, com um abraço.

Florisvaldo


JEITO BAIANO DE VIVER

posted by Jary Cardoso @ 12:02 AM
19 de julho de 2010

“Este blog pretende refletir sobre a maneira própria e característica de o baiano ser e estar no mundo (…)” – eram as primeiras palavras, as que inauguraram o Jeito Baiano no dia 12 de março de 2009 (http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=6). No dia de hoje o precioso acervo do blog, em permanente construção, passa a fazer parte do portal A Tarde Online.

A criação do site foi uma iniciativa pessoal deste jornalista paulistano que migrou para a Cidade da Bahia 23 anos atrás. Vim atraído pela cultura baiana, melhor dizendo, pelas variadas culturas baianas, especialmente a do Recôncavo. Seduzido pela maneira charmosa e sagaz com que este povo enfrenta a vida, vim, humilde e aplicado, aprendê-la. E este blog é uma ampliação e compartilhamento desse aprendizado.

Duzentos e sessenta e cinco posts, alguns contendo mais de um artigo, 362 comentários e 70.555 visitas (vews) depois, sei menos do que acreditava saber sobre a baianidade, mas o pouco conhecimento se tornou mais profundo e realista.

Devo ao jornal A Tarde os recursos técnicos e de conteúdo para a manutenção do Jeito Baiano. Primeiro, foi o treinamento para pilotar um blog, oferecido pela empresa e ministrado por colegas de A Tarde Online (alô alô, paciente professora Alane Virgínia).

Até então minha familiaridade com esse veículo se resumia à leitura do blog de Ricardo Noblat e à participação com comentários no “Obra em Progresso”, de Caetano Veloso, que esteve ativo enquanto ele preparava o CD e show Zii e Zie (no último post sou até citado por ter apontado um erro em texto de Caetano – imagine a minha audácia…).

O conteúdo do Jeito Baiano tem sido em grande parte reprodução de artigos que tratam da baianidade publicados nas páginas de Opinião de A Tarde, das quais sou o editor.

Desde os primeiros posts, a Cidade da Bahia aparece como um dos principais protagonistas, tanto como suporte básico da baianidade, desde seu traçado urbano original em meio a uma natureza exuberante, até o longo período de isolamento do resto do país, quando ela deixou de ser a capital federal e aqui se consolidou uma cultura à parte (“Uma cultura de traços próprios que se formara ao longo de mais de cem anos de solidão, no entrecruzamento constante de elementos, formas e práticas culturais de extração essencialmente luso-africana. E da qual Caymmi seria expressão estética concentrada” – Antonio Risério, citado no segundo post do Jeito Baiano: http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=15).

Hoje com 62 anos de idade, a Bahia é meu objeto de atenção e estudos desde os anos 60, desde “Louvação” de Gil e Capinan e o “Viva a Bahia-iá-iá” proclamado pela Tropicália. Vejo agora com mais clareza: a cidade que presenteou o país com as criações de Dorival Caymmi e dos tropicalistas só existe praticamente como memória virtual, se transformou numa grande metrópole submergida pelo caos. Os traços da baianidade viraram estereótipos, marketing turístico, que serviram por algum tempo para abafar os preconceitos contra os baianos, praticados por sudestinos, especialmente em São Paulo, onde os “baianos” representavam todos os desprezados nordestinos, assim como os “paraíbas” no Rio. Esses preconceitos voltam agora com mais intensidade a ponto de a Veja, em edição recente, responsabilizar a “incontinência urinária” dos baianos pelo desabamento na arquibancada da Fonte Nova.

Sim, muitos baianos não têm noção de urbanidade – e este é um dos temas polemizados por este blog (veja um dos posts mais acessados, “Mijar ou não mijar na rua, eis a questão”: http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=23) –, mas o pecado maior é das autoridades que não instalam sanitários públicos em número suficiente e em locais estratégicos.

O candomblé, a capoeira, a questão racial, o combate ao racismo e a homofobia são outros temas abordados no Jeito Baiano, que conta também com textos exclusivos de zédejesusbarrêto, Jolivaldo Freitas, Tuzé de Abreu, Edmundo Carôso. Meu querido amigo zédejesusbarrêto atua ainda como conselheiro editorial, sugerindo temas e angulações e indicando textos interessantes saídos em Opinião e nas colunas do caderno Populares, de A Tarde.

Este espaço está aberto ao debate construtivo dos temas e problemas que envolvem o jeito baiano de ser e estar no mundo. Um dos principais propósitos é que o Jeito Baiano contribua para um maior aprofundamento desses temas e para a solução desses problemas, a ponto de influenciar até nas eleições para os cargos executivos, especialmente o de prefeito da Cidade da Bahia.



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