Archive for novembro, 2010


CORONÉIS DO CACAU NA MIRA DE GUSTAVO FALCÓN

posted by Jary Cardoso @ 1:42 PM
25 de novembro de 2010

Com capa do designer Enéas Guerra, a Solisluna Editora lança hoje, 25 de novembro, a reedição ampliada e revisada da pesquisa que se tornou um clássico da sociologia baiana, o livro Coronéis do Cacau, de Gustavo Falcón, baiano de Salvador, 58 anos, sociólogo, doutor em História e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBa).

Há poucos dias, Gustavo Falcón participou, como coautor, de outro lançamento da Solisluna, a bela obra de Goya Lopes, Imagens da Diáspora, para a qual ele escreveu textos de apoio. Outro livro de Gustavo Falcón é Do reformismo à luta armada: a trajetória política de Mário Alves (1923-1970), editado em 2008 pela Edufba e Versal Editores.

Coronéis do Cacau resultou da tese de mestrado de Gustavo Falcón e o livro sobre o líder comunista baiano Mário Alves, de sua tese de doutoramento. Nesses dois livros, Falcón pratica os conhecimentos aprofundados pela vida acadêmica, mas ele faz questão de exaltar as origens de sua formação intelectual, iniciada em meados dos anos 60, quando militou na Polop – Organização Revolucionária Marxista Política Operária, o mesmo grupo da esquerda revolucionária no qual a presidente eleita Dilma Rousseff começou sua militância política.

GUSTAVO FALCÓN

Com muita honra – diz Gustavo Falcón –, fui dirigente do comitê estudantil secundarista da Polop, a escola de pensamento de esquerda que agora colhe frutos. A Polop foi o instrumento que classificou como intelectuais muitos jovens daquela geração, que ensinou a gente a pensar, nos deu uma formação diferenciada. Éramos estudiosos e alguns de nós ficaram famosos.

Além de Dilma Rousseff em Minas Gerais, ele cita como ex-militantes da Polop na Bahia, entre outros, o escritor Antonio Risério, que se dedicou à Antropologia; Eduardo Machado, pós-doutor em Sociologia e professor da UFBa; Jorge Nóvoa, doutor em Sociologia e professor da UFBa; e seu irmão Pery Falcón, que era dirigente nacional da Polop e hoje é importante quadro do Partido dos Trabalhadores na Bahia.

O próprio Gustavo Falcón teve seu interesse por História econômica despertado pela Polop. Coronéis do Cacau, que será relançado hoje, é um desses frutos. Veja informações sobre esse livro no release da Solisluna:

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EDITORA ABRE ESPAÇO PARA

REFLEXÃO SOBRE A BAHIA

Coronéis do Cacau, de Gustavo Falcón, resultou de uma pesquisa de história econômica sobre a formação das classes sociais na região de Ilhéus e Itabuna, durante o período de constituição da economia cacaueira. Trata-se de um ensaio sobre a diferenciação social, tomando por base a ocupação econômica da área, a estrutura fundiária e a construção de novas classes sociais na Bahia durante o período que vai do final do século 19 às primeiras três décadas do século 20.

O trabalho ressalta três momentos significativos na formação da sociedade grapiúna. O primeiro, quando o parcelamento da terra é mais ou menos democrático e a maioria de seus ocupantes não passa de pequenos proprietários. O segundo, quando já se nota o surgimento de algumas glebas maiores e a formação de conjuntos de fazendas reunidas sob o domínio de um único proprietário. E o terceiro, quando os grandes comerciantes exportadores expropriam as fazendas passando a dominar o processo produtivo.

Adotado em vários cursos universitários, Coronéis do Cacau está amparado em farta documentação oficial, ampla bibliografia e se propõe a interpretar o fenômeno do coronelismo político numa região de fronteira agrícola.

Trata-se de uma tentativa de compreensão de como uma região desconectada do mercado, habitada por indígenas, é apropriada, submetida e suas terras, antes devolutas e sem qualquer valor de mercado, passam a ser consideradas como bem econômico de grande expressão imobiliária – diz o autor.

Coronéis do Cacau é mais um livro de reflexão sobre aspectos socioculturais relevantes da formação da Bahia publicado pela Solisluna. Gustavo Falcón é jornalista, professor de Sociologia, estudioso da história econômica da Bahia, tendo integrado e dirigido a pesquisa “Inserção da Bahia na Evolução Nacional, 1850-1930“, junto a outros pesquisadores.

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SERVIÇO

Lançamento do Livro Coronéis do Cacau

Nº de páginas: 128

Preço do livro: R$ 29,90

Data: 25 de novembro de 2010, quinta-feira

Horário: a partir das 18 horas

Local: Livraria LDM Rua Direita da Piedade, 22, Salvador-BA


notas mínimas de katherine funke

posted by Jary Cardoso @ 4:59 PM
23 de novembro de 2010

A editora baiana Solisluna agita o cenário cultural com o lançamento, esta semana, de mais dois livros. Na noite de hoje, terça-feira 23, será lançado no Museu Náutico da Bahia – pátio do Farol da Barra – o livro de microcontos notas mínimas, de KATHERINE FUNKE. Quinta-feira, 25, às 18 horas, acontecerá na Livraria Multicampi, na Piedade, o lançamento da nova edição de Coronéis do cacau, de GUSTAVO FALCÓN.

Um próximo post tratará do livro de Gustavo Falcón. Neste, enfoquemos a obra de Katherine Funke, jornalista, escritora e compositora.

KATHERINE FUNKE no estande da Solisluna Editora durante a Bienal do Livro de São Paulo. Foto de VICENTE SAMPAIO

Nascida em Joinville, Santa Catarina, no ano de1981, Katherine migrou para Salvador aos 22 anos de idade. Eu a conheci n’A Tarde, ela atuando como repórter, função em que brilhou especialmente na revista Muito, que é encartada aos domingos no jornal baiano. Algumas de suas matérias foram reproduzidas por este blog por terem tudo a ver com o Jeito Baiano, como nestes dois posts:

1) “Triste Bahia, oh quão dessemelhante”

(http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=694)

2) “Tuzé de Abreu, o ‘filho’ de Smetak”

(http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=334)


Veja uma das notas mínimas de Katherine Funke – o ciclo do ciclista – que também tem tudo a ver com o Jeito Baiano, no caso a referência a uma das principais bandeiras deste blog: a defesa das bicicletas e da implantação de ciclovias em Salvador para confrontar o império dos automóveis e democratizar verdadeiramente o transporte e a mobilidade na Cidade da Bahia.

Como todos os microcontos de Katherine Funke incluídos em mais uma belíssima produção da Solisluna, este também é ilustrado por uma das cabeças da editora, ENÉAS GUERRA, que cedeu o desenho para publicação no Jeito Baiano. Curta-os:


o ciclo do ciclista

Detalhe da ilustração de ENÉAS GUERRA

texto de katherine funke

Pedalo por entre as brechas das calçadas, por entre a multidão de pedestres e a camada veloz de motorizados que me ignoram. Aperto meus pés contra os pedais e os aceito de volta, para depois impulsioná-los à frente outra vez.

Em movimento, imagino a mim e a multidão ao meu redor: deslizaríamos por sobre pistas perfeitas e sem interrupções para chegar aos nossos destinos. Teríamos praças no caminho, com água de coco, café e sorvete, onde poderíamos parar na volta do trabalho para sorver ideias, desenhar poesias e comer a paisagem. Bibip. Uma buzina me ensurdece. Estou de volta à realidade.

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A programação do lançamento do livro de Katherine Funke, hoje, das 18 às 21 horas, no Pátio do Forte de Santo Antônio da Barra, terá sarau literário, convidados especiais e trilha sonora ao vivo, de Pedro Filho Amorim.


CABEÇA FEITA NA LIBERDADE

posted by Jary Cardoso @ 2:45 PM
22 de novembro de 2010

Estava eu e minha família, neste domingo pela manhã, na fantástica e maravilhosa Igreja de São Lázaro, na Rua Lima e Silva, bairro da Liberdade, na Cidade da Bahia, participando dos rituais de batizado da afilhada Nicole, de 3 anos, quando comecei a reparar no corte de cabelo de alguns rapazes ali presentes. As cabeças são feitas com muita criatividade no bairro de maior população afrodescendente fora da África, mas desta vez identifiquei uma novidade – pelo menos para mim – no desenho do corte. Abordei um desses jovens e perguntei se ele topava posar para o Jeito Baiano, dando continuidade à série “Cenas Baianas – Cabeça feita”, com fotos tiradas pela cantora VILMA NASCIMENTO, primeira-dama deste blog. Essas imagens estão em dois posts de junho de 2009:

http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=376

http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=366

Mario Neto – esse o nome do rapaz de cabeça bem feita – topou fazer as fotos, tendo como pano de fundo a parede da fachada da igrejinha. Confira:

Mario Neto tem 17 anos, é morador do Curuzu, cursa a 8ª série e sua cabeça foi feita pelo cabeleireiro Mé. Parabéns para Mario e parabéns para Mé!

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Depois da missa e batizado oficiados somente por mulheres sacerdotizas, cerimônias que lotaram o pequeno templo – também conhecido como Igreja Católica Ortodoxa do Brasil –, fomos para a casa de Nicole, ali perto, em Santa Mônica. Nos dois locais, Vilma fez outras fotos:

Barbearia do bairro de Santa Mônica, na região da Liberdade

O corte moicano de Neymar revisitado por Cleiton, morador de Santa Mônica, na região da Liberdade

Os cachos de Talita, pequena moradora de Santa Mônica, encantaram a fotógrafa

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Por fim, uma foto tirada dentro da Igreja de São Lázaro pela minha cunhada, WALESKA NASCIMENTO, em que aparecem, à esquerda, a minha sobrinha, VICTORIA NASCIMENTO (para quem não sabe, Vilma, Waleska e Victoria são mineiras da família de Milton Nascimento radicadas no jeito baiano de viver), e, à direita no banco, a grande homenageada do dia, nossa afilhada NICOLE:

Como post scriptum, acrescento esta foto produzida em pleno reino da Liberdade, um dia depois do Dia da Consciência Negra (que também poderia ser o Dia da Consciência Mulata, como propõe o historiador soteropolitano Cid Teixeira):

A madrinha VILMA NASCIMENTO em amores com NICOLE, na foto de WALESKA. A propósito do tema cabeça feita, Vilma foi uma das primeiras pessoas no Brasil a usar o cabelo pixaim trançado

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Como post scriptum nº 2, repasso a pesquisa que fiz no Google para os temas “Bairro da Liberdade” e “Igreja de São Lázaro na Liberdade”. Os textos foram extraídos da Wikipédia e do site “Salvador Cultura todo dia”, da Fundação Gregório de Mattos, órgão da prefeitura

(http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br/index3.php).

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IGREJA DE SÃO LÁZARO

A Igreja Católica Ortodoxa do Brasil/Igreja de São Lázaro, localizada na Rua Lima e Silva, a principal do bairro da Liberdade, em Salvador, realiza missas toda segunda-feira, às 8 horas, com intensa participação popular. A maioria dos fiéis busca um alívio para as dores com o óleo da unção, ou apenas uma proteção com a água benta jogada logo na entrada. Os que estão de passagem entram, recebem a água benta e retornam para recarregar as energias para enfrentar a vida. São homens e mulheres, crianças e velhos, todos eles bastante simples.

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BAIRRO DA LIBERDADE

Antiga Estrada das Boiadas, a Liberdade era passagem dos bois que vinham do sertão e eram comercializados na Feira do Capuame. Em 1823, por ali entrou o exército libertador e então, a Estrada das Boiadas passou a ser chamada Estrada da Liberdade. Considerado como o bairro mais populoso da cidade de Salvador, e representativo da cultura negra, o fez ser considerado pelo Ministério da Cultura como o território nacional da cultura afro-brasileira. O povoamento da Liberdade se deu logo depois da abolição da escravatura, com a ida de negros libertos e ex-escravos para o local.

A Liberdade não é só o bairro mais negro de Salvador e do Brasil. É especial. É único. É um país, onde a negritude é a maior referência, a espontaneidade é uma lei, e a manifestação artística é a principal linguagem de expressão.

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DEPOIMENTOS

Cid Teixeira, historiador (www.cidteixeira.com.br):

Liberdade… Aí era a estrada das boiadas. O boi que descia do sertão era comercializado na feira do Capuame, feira de gado, Capuame, que depois mudou o nome para Dias D’Ávila, hoje é a cidade de Dias D’Ávila, ali estava a feira do gado. Esse gado era trazido para o abate. O abate da cidade estava onde hoje é o terminal da Barroquinha, ali é que era o matadouro da cidade. Por isso que o rio se chama de rio das Tripas, porque os dejetos, as sobras do sacrifício dos animais eram jogadas no rio das Tripas. O rio das Tripas está lá, a Baixa dos Sapateiros não existe, ela é um rio canalizado, você anda por cima do extradorso da abóbada que cria a Baixa dos Sapateiros, o rio das Tripas está lá. Então, este gado vinha pela estrada que você chama da Liberdade, que era a estrada das boiadas. Em 1823, por ali entrou o exército libertador e então, a estrada das boiadas passou a ser chamada estrada da Liberdade.

[A negritude associada ao Bairro da Liberdade é um fenômeno...]

…recentíssimo. Eu que estou falando aqui, sou do tempo em que a Liberdade eram quatro ou cinco roças, roças com bois e vacas e essas coisas. Essa concentração de pobreza e negritude na liberdade é coisa de quarenta ou cinquenta anos para cá, não é muito antiga, não. Outros bairros se embranqueceram, por exemplo, um bairro onde só tinha negro mesmo, que era o Caxundé; hoje ninguém mais sabe nem onde é o Caxundé quanto mais falar em negro lá dentro. Corresponde hoje ao Jardim de Alá, ali, na Pituba. O trator chegou, urbanizou tudo, fez casinhas bonitinhas e acabou com a negritude de lá. A Liberdade não tem essa história negra, não; eram roças. Seu Chico Mãozinha era dono de tudo o que é hoje, Corta braço, Pero Vaz era a roça dele e eu conheci, eu estive lá, na roça dele, eu que estou aqui; portanto, não é coisa do século XVII, não. Eu vi, andei lá, como andei na Pituba com medo das vacas, com medo dos bois correndo atrás da gente.

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Hilda dos Santos (Mãe Hilda) – Comunidade do Ilê Aiyê – Curuzu:

Cheguei na Liberdade com meus pais em 1930. Tinha sete anos. Isso aqui tinha todas as aparências de quilombo, desses que você só ouviu falar. (…) Todos os moradores eram negros. Algum escravo liberto, tinha muitos que eram africanos mesmo, mas a maioria era filhos deles, os filhos da escravidão.

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Zebrinha – Balé Folclórico da Bahia:

Na Liberdade comecei a aprender a ser eu mesmo, a perceber o que é ser negro. Vi que eu fazia parte de uma comunidade não privilegiada, ou melhor, totalmente desfavorecida. Percebi que para ser alguém eu iria ter que ralar pesado ou então dançar. E acabei dançando!

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Lucy Antônia – Grupo Integrado de Adolescentes GIA – Liberdade:

“Eu vejo um futuro melhor. Vejo pessoas inquietas, questionando uma cidade e essa cidade vai ter que dar uma resposta a essas pessoas. Vejo adolescente que se mobilizam e se interligam, sabem que não podem andar sozinhos e que vão dar uma cara nova a essa cidade.



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