A VIDA BAIANA COMO ELA É

postado por Jary Cardoso @ 1:17 PM |
28 de outubro de 2009

O título acima é uma paródia do “A vida como ela é”, de Nelson Rodrigues, e me veio à mente quando tive a ideia de reproduzir aqui no blog uma notícia que me impressionou, lida na página de polícia do jornal A Tarde de hoje. “PM assassinado com 3 tiros na cabeça” é a manchete da página, aparentemente corriqueira. Mas na altura do quarto parágrafo do bom texto do repórter Samuel Lima, me senti repentinamente transportado para o clima de um romance de Jorge Amado. Confira.

Mercado de      São Miguel 100707HA110
O Mercado de São Miguel, na Baixa dos Sapateiros, foi o cenário do crime. O soldado PM Josué dos Prazeres estava de folga cochilando em um destes barzinhos quando dois homens desceram de uma moto e o executaram. Foto: HAROLDO ABRANTES | Agência A Tarde

PM É ASSASSINADO

COM 3 TIROS NA CABEÇA

 

por SAMUEL LIMA

 

Apesar das advertências da esposa, o soldado da Polícia Militar Josué Elias Pedro Vilas Boas dos Prazeres, 45 anos, continuava a frequentar os bares do Mercado de São Miguel, na Baixa dos Sapateiros. Tanta preocupação da mulher fez sentido por volta das 15h30 de ontem, quando o soldado Prazeres foi executado com três tiros na nuca enquanto cochilava em frente à Cantina do Joaquim.

De folga, o militar – lotado no 18º Batalhão da PM (Centro Histórico) – estava no mercado desde a manhã, bebendo cerveja na companhia de um amigo. Ainda não há informações precisas quanto à autoria do homicídio, mas, conforme Josilene dos Santos, 35, mulher da vítima, populares disseram que dois homens teriam se aproximado de Prazeres e efetuado os disparos. Adormecido em uma cadeira, de costas para a rua, o soldado não percebeu a aproximação dos criminosos e não teve chances de defesa. Ele ainda foi levado por colegas ao Hospital Geral do Estado, mas já chegou morto à unidade.

Ele sempre ficava sentado assim, exposto. Não tinha jeito”, lamentou Josilene. Já a PM, em nota, informou que Prazeres foi morto com dois tiros, sendo que um o atingiu na cabeça. Ainda de acordo com o comunicado, os dois assassinos teriam chegado ao local em uma motocicleta.

Decoradora de bufês, ela contou que o marido passou a frequentar o Mercado de São Miguel há três anos, depois que iniciou um relacionamento amoroso com Gilneia de Jesus, 23. “Ele montou uma barraquinha para que ela ficasse tomando conta. Era por isso que ele ia todo dia lá”, reclamou Josilene.

O crime está sob investigação da Delegacia de Homicídios (DH). Francineide Moura, delegada titular da unidade, relatou que a identidade de suspeitos do assassinato já foi levantada. Entre as hipóteses apuradas está a versão de que um traficante de drogas que age no Centro de Salvador teria ordenado o delito.

Lembro que ele deu entrevista a um canal de televisão no dia do enterro de um colega, na semana passada. Talvez os bandidos tenham visto”, observou Josilene. Prazeres compareceu ao funeral do soldado Carlos Bonfim Galo, no Cemitério Campo Santo, no último dia 23. Na véspera, Galo foi morto a tiros dentro da mercearia que montara, na Fazenda Grande do Retiro, ao reagir a um assalto.

Prazeres é o 13º policial militar vítima de morte violenta na Bahia, em 2009. No ano passado, o número de perdas chegou a 34 – o que levou a Secretaria da Segurança Pública a criar um grupo especial de investigação contra homicídios praticados contra PMs. Prazeres estava na corporação há 21 anos. Ele deixou quatro filhos, todos frutos de um relacionamento anterior – o mais velho, de 23 anos, é guarda municipal.

O soldado morava nas imediações da Avenida San Martin, de onde saiu ontem, por volta de 7 horas, direto para a Baixa dos Sapateiros, segundo contou Josilene. Prazeres voltaria a ficar de plantão na noite de hoje. “A culpada é a amante dele, que todo dia chamava ele para beber”, bradou a decoradora.

Como também estava na cena do crime, Gilneia foi intimada a depor na DH na noite de ontem. Até o fechamento desta edição, ainda não havia confirmação de conclusão da oitiva. Policiais militares de diversas unidades realizaram incursões pelo Centro, mas não foram efetuadas prisões.

NOTA DO EDITOR – O repórter Samuel Lima disse hoje que o depoimento de Gilneia não acrescentou nenhuma informação nova, mas ela negou que chamasse Josué todo dia para beber. Gilneia contou que, pelo contrário, dizia ao PM para não ir ao Mercado de São Miguel porque era perigoso para ele.

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