A BAHIA NASCEU PRA SER FELIZ

postado por Jary Cardoso @ 4:45 PM |
31 de outubro de 2009

por WALTER QUEIROZ JUNIOR

Quando Jorge Amado comemorou oitenta anos numa grande festa, uma feliz iniciativa do governo de São Paulo,fomos eu, Haroldo e Armando Macedo do Trio Elétrico Dodô e Osmar e mais os músicos Bajara e Levy Pereira, ambos hoje do Asa de Águia e o saudoso João Batera, na qualidade de artistas convidados para o grande evento ao lado de Gal, Gil, Caetano e Dorival Caymmi. Estávamos saindo do ensaio geral, quando o jornal Folha de S. Paulo pediu ao nosso mestre maior uma definição para a Bahia. Para a minha surpresa, ele passou-me a palavra e premido por tamanha responsabilidade respondi, num impulso:

– A Bahia não nasceu para ser Nova Iorque ou Paris… A Bahia nasceu pra ser feliz!

Caymmi abriu aquele seu inconfundível sorriso e a frase virou manchete no dia seguinte.

Num processo que vem se acelerando desde a década de sessenta, nossa terra vem se descaracterizando ante o atônito e incrédulo olhar dos seus próprios filhos. Sem um sério planejamento capaz de, pensando o futuro, preservar nosso inigualável patrimônio cultural, estaremos, a cada dia, assistindo à falência das nossas mais caras tradições em nome de um pseudo-progresso e uma falaciosa euforia de crescimento.

Quero deixar claro que não é hora de retaliações políticas ou acusações de qualquer natureza. Se existe algo que ainda nos une e pode nos apontar uma saída é o grande amor que, desde os nossos mais remotos antepassados, cultivamos e professamos pela gloriosa terra de Castro Alves, Mestre Bimba, Itamar Espinheira.

É imperioso, sim, um elenco de atitudes corajosas capazes de interromper o tropel avassalador do egoísmo e da ambição. É urgente um grande casamento de cultura e cidadania, restaurando nossa autoestima, derrubando insustentáveis privilégios, afirmando a beleza do miscigenado ser baiano.

Alavancar três grandes festivais de re-percussão internacional (alô Domingos Leonelli, alô Márcio Meirelles) seria um boa retomada de uma vitoriosa ação coletiva: música, cinema e gastronomia num “show’ de Bahia que precisa voltar a fazer jus ao seu inigualável epíteto: terra da felicidade!

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No Responses to “A BAHIA NASCEU PRA SER FELIZ”

  1. LOURENÇO MUELLER  Says:

    Acho muito oportuna a sugestão de festivais que celebrem a cultura baiana, como acho tb essa frase do título um verdadeiro achado, tão lógica, natural e verdadeira que chega a incomodar os que não nasceram aqui ou adotaram de verdade a Bahia, o que pode ser até mais importante já que é algo volitivo, não uma questão do acaso.

    Mas creio que esses festivais sugeridos têm que ter uma moldura urbana não apenas pelo fato de serem feitos aqui, mas pq têm que embutir discussões pragmáticas sobre esta cidade q está sendo tão burramente transformada, conforme tb foi falado.

    Somente com urbanismo e suas ferramentas metodológicas no sentido universalizado do termo – e aqui nos aproximamos do humanismo; talvez não seja simples coincidência a semelhança entre as duas palavras – seja possível equacionar essas mudanças.

    Esperemos que o apelo feito a quem decide dê certo… E eles tenham sensibilidade para a variável urbana.

  2. LOURENÇO MUELLER  Says:

    Não fui completo.
    A citação bibliográfica é Peter Hall, ‘Cities in Civilization’, onde o autor descreve as idades de ouro de cidades europeias.
    Penso que a Bahia de Edgard Santos teve os seus anos de ouro na década de 50.
    A pergunta é: que fazer para re-editar esse tempo?

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