PARABÉNS, LUIZ: 25 ANOS DE AXÉ MUSIC

postado por Jary Cardoso @ 12:00 PM |
28 de fevereiro de 2010

LUIZ CALDAS toca ao lado de ORLANDO CAMPOS DE SOUZA, o ORLANDO TAPAJÓS, criador do trio elétrico Caetanave no carnaval baiano de 1972. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 Salvador-Bahia

No Carnaval do ano passado, o jornal A Tarde convidou o cantor e compositor GERÔNIMO, então Rei Momo, para escrever uma coluna diária nas seis edições especiais dedicadas à folia baiana. Este ano o convidado para a mesma tarefa foi LUIZ CALDAS, aproveitando o seu retorno aos centros das atenções sotero-carnavalescas por comemorar 25 anos da Axé Music, movimento inaugurado por ele.

O blog JEITO BAIANO reproduz abaixo os seis muito elogiados textos de Luiz, na ordem em que foram publicados.

Antes, um recado de LUIZ CALDAS:

www.luizcaldas.com.br – “Aqui você saberá tudo sobre mim”.

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SEXTA-FEIRA DE CARNAVAL

Salve a alegria,

salve o Carnaval da Bahia!

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 12 de fevereiro de 2010)

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Para começar o nosso papo-cabeça, em plena folia de momo, nada como dizer que o hit do Carnaval é a não-violência. Em sendo assim, a minha expectativa é que a diversidade musical, aqui batizada por Axé Music, brilhe mais e mais com os nossos astros, que não devem em nada aos demais que também brilham mundo à fora.

Salvador no Verão, especialmente no Carnaval, é um colírio para todos os olhos, sem essa de deixar a lágrima derramar. A ordem é brincar, beijar, abraçar, dançar e ver a beleza dos blocos afros, que pela ancestralidade é matriz de grande parte desta coisa de ser baiano. Como é bonito ver Denny comandando a Timbalada, Vovô desfilando com o mais belo dos belos, que é o Ilê, e os turistas acertando o passo para se tornar um de nós baianos.

Com a homenagem aos 60 anos do trio elétrico, os 25 anos da Axé Music, a presença de Moraes Moreira e tendo Pepeu Gomes como rei momo, o Carnaval de Salvador consegue valorizar a sua história com os olhos no futuro e os pés no chão. Esse modelo de resgate tem que ser mantido, pois os artistas consagrados e os fatos históricos são faróis acessos para a festa ficar bonita. Os artistas consagrados transmitem por meio da sua arte a inspiração para os novos que chegam. São influências boas que só agregam valores.

É impossível falar de trio elétrico sem falar da guitarra baiana, que tem Armandinho o seu maior expoente. Lembro-me que fazíamos batalhas musicais na Castro Alves, eram explosões de acordes e rajadas de notas musicais para todos os gostos. Os dedos dançavam neste instrumento genuinamente baiano, essência do som trieletrizado. Aqui, não poderíamos deixar de citar Renatinho do Tapajós, Pepeu, Missinho e Cacique Jonny, que mandavam ver. Hoje a geração que pinta no pedaço tem David Moraes e Morotó, dentre outros.

Quem for me acompanhar neste Carnaval vai ficar sabendo tudo sobre os grandes clássicos do Jubileu de Prata da Axé Music e sobre a festa. E já que a ordem é irradiar a alegria, vale a pena ouvir o clássico carnavalesco Prefixo de Verão, da Banda Mel.

No mais é esquecer os problemas da vida, pois Carnaval é prazer, é paz e é alegria. Até amanhã!

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Nesta sexta-feira à noite estarei no Pelourinho mandando ver com o meu som. Lembro que este Carnaval é emblemático para mim, pois é o Jubileu de Prata da Axé Music.

Salve Pepeu Gomes, nosso rei momo coroado por Gerônimo, que foi a estrela momesca da festa anterior. Gerônimo mostrou no seu reinado que é possível ser rei e artista ao mesmo tempo.

Tô de olho na Mudança do Garcia, que se consagrou como a mistura da mistura da anarquia e da cultura do Carnaval de Salvador.

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LUIZ CALDAS e banda no palco armado no Largo do Pelourinho. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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SÁBADO DE CARNAVAL

A chuva lava a tristeza

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 13 de fevereiro de 2010)

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Se eu fosse o prefeito de Salvador, ao invés da chave da cidade, daria uma paleta de ouro para ouvir os solos maravilhosos do nosso Rei Momo Pepeu. Qual o estado brasileiro que tem um dos maiores guitarristas do mundo no comando da folia? Isso só acontece na terra primeira do Brasil. E assim o Carnaval começou oficialmente, com os seus problemas e prazeres irmanados numa confusão organizada por Baco.

E em seguida veio a chuva, que lavou a tristeza e se misturou ao suor e à cerveja, como bem descreveu Caetano em seu frevo clássico.

Mas o começo da folia me fez relembrar a história. Foi quando a fobica original apareceu no Campo Grande com os filhos de um dos criadores a bordo e o Reio Momo. Os 60 anos deste invento maravilhoso que é o trio pareceram simples 60 dias. Uma vibração me dizia que a dupla elétrica Dodô e Osmar estava no meio do povão assistindo a tudo numa só felicidade.

Com o coração pulsando diferente, os olhos lacrimando e a alegria contornando a emoção, confesso que fiquei feliz ao assistir a homenagem que Denny da Timbalada me prestou, se vestindo como eu me vestia e cantando Haja Amor, voltando à época em que inventei a Axé Music. Essa bela apresentação na Barra mostra o lado inofensivo do Carnaval, pois tudo que é feito com o coração soa bem e fica bonito.

E por falar em inofensividade, tive a coragem de pedir a Sandra, minha esposa, o meu vale night, uma santa ideia do amigo Durval, que sabe como poucos fazer um Carnaval irreverente e cheio de inventividade.

E é nessa onda da musicalidade plural da festa que estou com os meus olhos de lince voltados para a turma do rock e do reggae, como Pitty, Retrofoguetes, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Diamba, Ed Vox e Adão Negro. Essa galera merece tudo de bom, pois seguem os passos dos nossos eternos Raul Seixas e Bob Marley.

Hoje estarei na Barra com o meu trio dos 25 anos da Axé Music homenageando o Trio Tapajós. Orlando Campos é o cara que fez o trio se perpetuar para sempre, pois segurou a onda na época em que os criadores deram um tempo. Orlando é o trio moderno, é a carroceria do passado, do presente e do futuro.

Durante a festa, o meu Olhar de Lança permanece antenado com as coisas que estão acontecendo. Até amanhã!

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Um problema de última hora atrasou a apresentação do nosso Rei Momo Pepeu Gomes. Coisas do Carnaval, mas nada capaz de tirar o brilho de sua musicalidade.

Num momento super musical, foi lindo assistir Adelmo Casé ninar o povão com a canção Mimar Você. Isso é que é saber usar bem uma gaita harmônica no lugar certo e na hora certa!

Como a Bahia é o berço do samba, deste o tempo de Tia Ciata, que migrou para o Rio de Janeiro, o gênero fez bonito na avenida. É a força dos nossos bambas e dos “bons malandros” cariocas.

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LUIZ CALDAS canta no Largo do Pelourinho. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-BA

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DOMINGO DE CARNAVAL

Vamos girar

o nosso calidoscópio cultural

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 14 de fevereiro de 2010)

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O Carnaval de Salvador é um calidoscópio cultural em ebulição. Com inúmeras possibilidades, a festa vem se moldando às pressões do poder econômico, ficando em segundo plano as autênticas manifestações. Quem vem sofrendo com este modelo sustentado pelos mercadores da alegria são as entidades de matriz africana, os blocos de índio e os grupos de samba. Como manter esse calidoscópio em movimento?

Bem, não é fácil atender todos os interesses. Uma saída seria pulverizar os espaços públicos com essas entidades. Temos que ver com carinho especial os blocos que preservam as matrizes africanas, garantindo verbas ao longo do ano, não antes de a festa começar. É inadmissível que esses blocos fiquem agonizando por falta de grana, não tendo condições de confeccionar adereços e fantasias. Dos milhões que são arrecadados em publicidade, nada mais justo do que separar uma fatia e distribuir entre essas entidades, obedecendo a importância histórica de cada um.

O Circuito Batatinha, o Pelourinho, tem conseguido movimentar este calidoscópio. Com uma decoração das mais belas homenageando os 60 anos do trio, o local representa a convergência das manifestações culturais que dão sentido ao Carnaval de Salvador. Na sexta-feira, por exemplo, vi famílias com crianças brincado sem pagar um tostão e na maior paz. Tinha som para todos os gostos, até uma charanga de japoneses. Este é o modelo que deve ser pulverizado nos outros circuitos. O Pelô é o point.

Por sua vez, o outro lado da festa sabe como poucos se movimentar para garantir mais lucratividade, pouco se importando com a cultura de “menor” apelo massivo. Faço coro às palavras do pesquisador e professor da Universidade Federal da Bahia Paulo Miguez, que expõe com detalhes a transformação do capital cultural da festa em capital econômico.

E por falar no Pelô, após minha apresentação, uma fã me perguntou quem era a grande estrela da cena Axé neste Carnaval. Sem pausa para pensar, disse que Ivete Sangalo, Claudinha Leitte, Margareth Menezes, Alinne e Amanda são as musas. Justifico: vejam como elas sabem cativar os foliões e conseguem dar continuidade ao canto Axé Music de maneira especial. E tem mais: arrasam em cima do trio e representam as Isis modernas do Carnaval, ou seja, são simbolicamente as expressões férteis do som carnavalesco mundial, já que a nossa festa atingiu esta condição global.

O Olhar de Lança permanece antenado. Até amanhã!

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Armandinho tem razão quando diz que tínhamos influência dos Beatles e Jimi Hendrix e queríamos fazer música com o tempero baiano. Hoje a preocupação é massificar e nada de boas influências.

Vamos ter mais um Carnaval sem encontro de trios na Praça Castro Alves. Pode anotar. E olhe que estamos comemorando os 60 anos deste invento fantástico. A praça é do vazio.

Cena da noite: enquanto tocava, um vendedor ambulante vendia um brinquedo que era lançado para cima e descia girando e cheio de luzes, dançando conforme a minha música.

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Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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SEGUNDA-FEIRA DE CARNAVAL

Um pouco de tudo

faz a alegria reinar

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 15 de fevereiro de 2010)

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Estou emendando o sábado com o domingo e o domingo com hoje, segunda-feira, penúltimo dia da festa. São poucas horas de sono. Digo isso para mostrar que vida de artista puxador de trio não é fácil como se pensa. Entre uma apresentação e outra, o tempo tem que render, uma vez que os compromissos paralelos pululam em alta velocidade. E para tudo funcionar de forma azeitada, um batalhão de profissionais entra em ação. Cordeiros, técnicos de apoio, seguranças, engenheiros de som e luz, músicos e motoristas possibilitam a alegria, não apenas o artista com o seu show.

Algumas horas perdidas do meu sono migraram para a logística da apresentação. Explico: tudo começa com os longos engarrafamentos no entorno dos circuitos, implicando deslocamento antecipado de aproximadamente duas horas. Aí vem a passagem de som e a liberação do trio. Para cada atraso de um minuto de quem está na frente, projeto, não linearmente, mais de cinco minutos para quem vem logo atrás. Como uma bola de nove, os últimos que desfilam acabam pagando pelo atraso dos primeiros.

De tanto assistir este filme, defendo a rotatividade dos horários de desfile. Se hoje um trio ou um bloco sai mais cedo, no Carnaval seguinte ele sairia mais tarde. Só assim, semearemos a democracia do tempo na festa. O atual modelo é bom para poucos. Façamos, então, sorteios de horários.

Outra coisa que poderia contornar esse problema relacionado ao tempo seria a inclusão de mais um circuito, assunto que vem sendo debatido nos últimos anos. Um novo circuito significa pulverização da festa e novas grades de desfile. Este debate tem que continuar.

Não poderia deixar de falar neste espaço do contentamento de Orlando Campos, que viu o seu Tapajós desfilar mais uma vez na avenida. Vestido de branco e com uma cartola prateada na cabeça, o idealizador da carroceria de trio agradeceu ao secretário Márcio Meirelles, ao governador Jaques Wagner, a mim e aos patrocinadores. O Trio Tapajós, sempre é bom reforçar, representa o Carnaval que valoriza o folião pipoca. Ano que vem tem mais Seu Orlando!

Por fim, levanto uma preocupação futura: se o terreno na Graça onde os trios se concentram for vendido, qual seria o espaço alternativo para comportar tantas máquinas da alegria? Pensem e me digam. O terreno em questão é particular.

O Olhar de Lança é a democracia da informação que A TARDE tem proporcionado. Até amanhã!

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A paz é o bálsamo da alegria

A civilidade chegou à festa. No sábado, no circuito Barra/Ondina, presenciei raras cenas de violência. Isso me deixa muito feliz, pois reforça que a paz é o bálsamo da alegria.

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Obrigado pela homenagem Betinho

Recebi das mãos de Betinho o Troféu Band Folia, uma homenagem aos 25 anos da Axé Music. Partilho este momento com todos aqueles que gastam da minha arte. Valeu Betinho!

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A varanda é o camarote 3333

O camarote Expresso 3333, que, em verdade, era a varanda de um apartamento, chamou a minha atenção. Os foliões sempre marcam presença com pérolas traduzidas em criatividade.

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ORLANDO TAPAJÓS e LUIZ CALDAS. Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-BA

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TERÇA-FEIRA DE CARNAVAL

Cenas com retalhos

de abadás e mortalhas

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 16 de fevereiro de 2010)

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Hoje termina a folia. Que pena! Quem ainda não dançou, não ficou com alguém, não beijou, não foi atrás do trio ou não viu o seu artista favorito, corra, pois ainda há tempo. Enquanto você corre em busca dos seus interesses, este escriba extemporâneo continua deixando a sua impressão, que é uma espécie de colcha de retalhos de mortalhas e abadas.

A fobica era pequena. O trio elétrico, hoje, é gigante. E daí? Bem, com a evolução destas máquinas da alegria, cada vez mais larga, alta e comprida, estamos na iminência de assistir a impossibilidade de deslocamento dos trios modernos pelas ruas do centro da cidade. Isso não quer dizer que eu seja contra a evolução, muito pelo contrário, adoro os trios modernos, principalmente pela qualidade do som e pela estética. A discussão aqui é o tamanho. A determinação de um limite máximo, dentro das normas estabelecidas pelos gestores do Carnaval de Salvador, poderia ser uma saída. Não adianta ter um Boeing se a pista de pouso só serve para teco-teco. Já presenciei trios presos em árvores, fiações elétricas e telefônicas. O resultado foi mais engarrafamento e mais atraso no desfile. E quando quebram? Aí é o caos, pois ninguém consegue mais ir e vir.

Quando passei pela Castro Alves na virada de domingo para segunda só toquei frevos que exigiram solos de guitarra baiana. Revivi o tempo do Carnaval trieletrizado. Um belo filme de encontros de trios, história de um passado recente, passou por minha cabeça. Porém a realidade era outra: eu estava sozinho. Os foliões resistentes e a estátua do poeta Castro Alves, esta com um possível olhar soturno, ficaram na esperança de mais um, mais dois ou mais três trios surgirem no topo da Ladeira da Montanha. Ledo engano. O passado é um filme em preto e branco, que, para ser revisitado em cores, urge uma série de ações conjuntas. Enfim, durmo tranquilo, pois a minha guitarra baiana, feita pelo lutier Elifas Santana, cumpriu a sua missão.

A maratona dos cantores de trio encontra guarida nos engarrafamentos na avenida. Parado por horas, o cantor tem que ficar agitando os foliões e haja gogó e repertório. No meu caso não há problema, pois tenho resistência e centenas de canções memorizadas, pois o baile foi a minha escola. Seria racionalizar o tempo dos trios que ficam fazendo shows particulares.

Dos três circuitos que passei tocando, a Barra representa a glamour moderno, o Campo Grande o primo pobre e o Pelô o lugar sagrado onde reina a essência cultural dos baianos.

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A paz do Gandhy ainda ecoa na avenida

O Gandhy é um capítulo a parte no Carnaval. No domingo à noite, no Campo Grande, o tapete branco do afoxé escondeu o asfalto e realçou a nossa tradição com banho de pipoca. A paz reinou ao som do ijexá.

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Reciclagem: a solidariedade de quem brinca

As milhares de latinhas de cerveja descartadas pelos foliões têm um fim garantido: a reciclagem. O lance positivo é a conscientização de quem curte, colaborando com os catadores, dando a lata em mãos.

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Frevo A Praça anima o Campo Grande

Cantei no Campo Grande com o parceiro Tom da Bahia (da dupla Tom e Dito) o frevo A Praça, canção também assinada pelo poeta Antonio Lins, presidente da Fundação Gregório de Mattos.

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Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Levanta e sacode as cinzas

para o ano que vem

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texto de LUIZ CALDAS

(reproduzido de A Tarde de 17 de fevereiro de 2010)

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Chego nesta quarta-feira de cinzas com o desejo utópico de rasgar a máscara que veste o apartheid da alegria que se estabeleceu no Carnaval de Salvador a partir do momento em que o lado lúdico se fez lucro. Ações neste sentido foram lançadas pela Prefeitura, com o Estatuto do Carnaval, e pela Secretaria de Cultura do Governo baiano, com o fortalecimento dos trios para o folião pipoca e o incentivo à cultura plural que a festa traz em si.

Tudo é válido quando se propõe a dar novamente ao povo o Carnaval que sempre lhe pertenceu. A festa tem condições de contemplar os dois interesses (histórico e econômico), não podendo, jamais, ficar refém do poder da grana que alimenta vergonhosamente o apartheid da alegria que aqui está estabelecido.

Ainda nas cinzas que voam ao sabor do vento desta quarta-feira, vi os reclames do amigo Carlinhos Brown, que sentiu na pele o que é ficar no final da fila e desfilar de madrugada para poucos foliões. Imaginemos a cena com um artista que não tem o apoio da mídia. Aí o fim da fila vira de fato o fim do poço. Brown deu até sorte, pois tocou no circuito Barra, hoje o predileto. Se fosse no circuito do Campo Grande a situação seria mais crítica.

Não passou despercebido por mim o trabalho de Aloísio Menezes, que vem conseguindo se posicionar bem na festa. Voz, repertório, qualidade musical e talento não lhe faltam. Quem também mostrou talento foi Juliana Ribeiro, jovem guerreira que desponta na cena do samba.

Sobre os 25 anos da Axé Music, só um lembrete aos desinformados. Quem pensa que a Axé Music é fruto do samba-reggae está totalmente equivocado e quer impor uma falsa história. Nos meus primeiros discos, antes de o samba-reggae ser massificado, gravei as canções Zorra, Salve o Negro Nagô e Minha Princesa. Neguinho do Samba não poderia deixar de fazer parte desta democracia. Está tudo datado e documentado em discos e em impressos.

Fechando, proponho que nos próximos dias, após uma sacudida nas cinzas decantadas nas lembranças de cada um, os atores sociais envolvidos diretamente na festa já podem traçar, em conjunto ou não, um panorama do que aconteceu de positivo e negativo neste ano. É o mínimo que se pode fazer com antecedência para evitar distorções futuras.

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Campanha contra o xixi na rua

Nota zero para a turma que urina na rua. Unidas, as cervejarias que investem na festa deveriam pensar numa campanha educativa, algo como: quem gosta de cerveja não suja a rua com xixi.

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Hino americano na levada do samba-reggae

Ainda repercute a homenagem que prestei a Neguinho do Samba, Jimi Hendrix, Michael Jackson e Barack Obama. O hino americano em solo de guitarra ganhou a levada do samba-reggae.

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A muvuca acabou e já deixa saudade

Acabou! Acabou!… Já estou com saudade da muvuca. Agradeço a todos que acompanharam o meu olhar crítico. Foi uma honra escrever para os milhares de leitores de A TARDE.

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Foto de CÉSAR RASEC - Carnaval 2010 - Salvador-Bahia

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2 Responses to “PARABÉNS, LUIZ: 25 ANOS DE AXÉ MUSIC”

  1. Paulo Sacramento  Says:

    Muito bom! Isso é que é registro histórico do carnaval de Salvador.

  2. Leonardo Vieira  Says:

    É incrível como um artista do porte de Luiz Caldas ficou um tempo sem receber mais atenção do que devia. Parabéns por mostrar o potencial desse cara que sabe como poucos fazer música, além de ver o carnaval com olhos próprios.

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