TRISTES FESTAS POPULARES

postado por Jary Cardoso @ 11:00 AM |
28 de fevereiro de 2010

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texto de DIMITRI GANZELEVITCH*

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Pouco após a minha chegada na Bahia – em 1975 – comecei a me interessar pelas festas de largo da capital. Em 80, abrindo uma galeria no Mercado Modelo, quando os artistas Vauluizo Bezerra, Bel Borba, J. Cunha, Babalu, Eckenberger, Justino Marinho, Murilo e muitos outros tiveram acesso ao mercado internacional, foi-me possível aprofundar este fascínio.

Se a festa em louvor a Santa Bárbara ainda era uma festa singela, restrita à Baixa dos Sapateiros e redondezas, bem antes do dia 8 de dezembro, começava a prazerosa efervescência da montagem da Conceição da Praia.

No princípio da mesma década, institui uma premiação – o Prêmio Flexa – com apoio discreto da Suvinil. Havia prêmio para tudo: barraca mais bonita, conjunto de bancos e mesas, fachada, higiene, música ao vivo etc. Entre as barracas de comida, com frequência, ganhava a nobre Barraca da Índia.

Com o tempo, as coisas mudam. Têm mesmo que mudar. Mas não para pior. Um belo dia, a prefeita Lídice da Mata determinou que estas festas eram coisa de favela, tinham que padronizar para melhorar o visual.

As barracas perderam sua beleza, o orgulho de sua tradição. Não há mais relação afetiva dos barraqueiros com as paredes emprestadas ou alugadas pela prefeitura. A maioria deixou até de ostentar o nome da casa. No Embalo, Carinhoso, Sultão das Matas, Iracema, Senhor dos Navegantes, Minha vidinha, Top Model, Espigão e outras perderam sua identidade, como Salvador perdeu boa fatia de sua alma.

O câncer da propaganda está matando as festas do verão soteropolitano. É desesperador a constatação de tanta feiúra, desde Santa Luzia até o Carnaval, campos de impiedosas batalha entre refrigerantes, cachaças, cervejas, eletro-domésticos, bancos e seguradoras.

O mercantilismo irresponsável, através da poluição visual e cultural, está canibalizando mesas, cadeiras, fachadas, frízer, toldos, balcões e vestimentas, matando a galinha dos ovos de ouro.

Qual o secretário de cultura que se empenhará em devolver ao baiano o orgulho destas festas?

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*Dimitri Ganzelevitch – Presidente da Associação Cultural Viva Salvador

17 de fevereiro de 2010.

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NOTA DO EDITOR – No artigo acima, publicado em Opinião do jornal A Tarde, Dimitri reforça denúncia já veiculada neste blog, que no post abaixo reproduz entrevista dada por ele à revista Muito, do mesmo jornal:

http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/12/08/requiem-das-festas-de-largo/

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