JEITO BAIANO DE VIVER

postado por Jary Cardoso @ 12:02 AM |
19 de julho de 2010

“Este blog pretende refletir sobre a maneira própria e característica de o baiano ser e estar no mundo (…)” – eram as primeiras palavras, as que inauguraram o Jeito Baiano no dia 12 de março de 2009 (http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=6). No dia de hoje o precioso acervo do blog, em permanente construção, passa a fazer parte do portal A Tarde Online.

A criação do site foi uma iniciativa pessoal deste jornalista paulistano que migrou para a Cidade da Bahia 23 anos atrás. Vim atraído pela cultura baiana, melhor dizendo, pelas variadas culturas baianas, especialmente a do Recôncavo. Seduzido pela maneira charmosa e sagaz com que este povo enfrenta a vida, vim, humilde e aplicado, aprendê-la. E este blog é uma ampliação e compartilhamento desse aprendizado.

Duzentos e sessenta e cinco posts, alguns contendo mais de um artigo, 362 comentários e 70.555 visitas (vews) depois, sei menos do que acreditava saber sobre a baianidade, mas o pouco conhecimento se tornou mais profundo e realista.

Devo ao jornal A Tarde os recursos técnicos e de conteúdo para a manutenção do Jeito Baiano. Primeiro, foi o treinamento para pilotar um blog, oferecido pela empresa e ministrado por colegas de A Tarde Online (alô alô, paciente professora Alane Virgínia).

Até então minha familiaridade com esse veículo se resumia à leitura do blog de Ricardo Noblat e à participação com comentários no “Obra em Progresso”, de Caetano Veloso, que esteve ativo enquanto ele preparava o CD e show Zii e Zie (no último post sou até citado por ter apontado um erro em texto de Caetano – imagine a minha audácia…).

O conteúdo do Jeito Baiano tem sido em grande parte reprodução de artigos que tratam da baianidade publicados nas páginas de Opinião de A Tarde, das quais sou o editor.

Desde os primeiros posts, a Cidade da Bahia aparece como um dos principais protagonistas, tanto como suporte básico da baianidade, desde seu traçado urbano original em meio a uma natureza exuberante, até o longo período de isolamento do resto do país, quando ela deixou de ser a capital federal e aqui se consolidou uma cultura à parte (“Uma cultura de traços próprios que se formara ao longo de mais de cem anos de solidão, no entrecruzamento constante de elementos, formas e práticas culturais de extração essencialmente luso-africana. E da qual Caymmi seria expressão estética concentrada” – Antonio Risério, citado no segundo post do Jeito Baiano: http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=15).

Hoje com 62 anos de idade, a Bahia é meu objeto de atenção e estudos desde os anos 60, desde “Louvação” de Gil e Capinan e o “Viva a Bahia-iá-iá” proclamado pela Tropicália. Vejo agora com mais clareza: a cidade que presenteou o país com as criações de Dorival Caymmi e dos tropicalistas só existe praticamente como memória virtual, se transformou numa grande metrópole submergida pelo caos. Os traços da baianidade viraram estereótipos, marketing turístico, que serviram por algum tempo para abafar os preconceitos contra os baianos, praticados por sudestinos, especialmente em São Paulo, onde os “baianos” representavam todos os desprezados nordestinos, assim como os “paraíbas” no Rio. Esses preconceitos voltam agora com mais intensidade a ponto de a Veja, em edição recente, responsabilizar a “incontinência urinária” dos baianos pelo desabamento na arquibancada da Fonte Nova.

Sim, muitos baianos não têm noção de urbanidade – e este é um dos temas polemizados por este blog (veja um dos posts mais acessados, “Mijar ou não mijar na rua, eis a questão”: http://jeitobaiano.atarde.uol.com.br/?p=23) –, mas o pecado maior é das autoridades que não instalam sanitários públicos em número suficiente e em locais estratégicos.

O candomblé, a capoeira, a questão racial, o combate ao racismo e a homofobia são outros temas abordados no Jeito Baiano, que conta também com textos exclusivos de zédejesusbarrêto, Jolivaldo Freitas, Tuzé de Abreu, Edmundo Carôso. Meu querido amigo zédejesusbarrêto atua ainda como conselheiro editorial, sugerindo temas e angulações e indicando textos interessantes saídos em Opinião e nas colunas do caderno Populares, de A Tarde.

Este espaço está aberto ao debate construtivo dos temas e problemas que envolvem o jeito baiano de ser e estar no mundo. Um dos principais propósitos é que o Jeito Baiano contribua para um maior aprofundamento desses temas e para a solução desses problemas, a ponto de influenciar até nas eleições para os cargos executivos, especialmente o de prefeito da Cidade da Bahia.

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4 Responses to “JEITO BAIANO DE VIVER”

  1. barreto  Says:

    jary, amigo véi

    grato pela palavras. daqui do planalto central, onde passo uns dias a trabalho, felicito pela mudança. o importante é manter o nível diferenciado do espaço, discutindo sempre o jeito baiano de ser e fazer. nossa cidade, nossa mãe preta Bahia merece um olhar mais afetuoso e, ao mesmo tempo, crítico. sempre libertário, sem amarras.
    barreto

  2. Alane Virgínia  Says:

    Jary, querido. Obrigada pela menção. Estou acompanhando o blog e já percebi que você foi um aluno bem aplicado. :)
    Beijos!!!

  3. Toni Caldas  Says:

    Jary. Sou um leitor assíduo na medida do possível do A Tarde – na maioria das vezes virtualmente –, inclusive do caderno do qual vc toma as rédeas. Isso se deve não somente pelo meu interesse enquanto público, mas tb enquanto estudante de jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

    Já visitava o antigo blog e admiro a sua iniciativa de veicular aqui algumas faces dessa cultura que não tem par. Tb tenho um blog há algum tempo e lá lanço alguns trabalhos meus, inclusive ligados à UFRB, onde a cultura do Recôncavo é posta à mesa para que os leitores possam se deliciar (Mas às vezes eles vomitam… Vai ver são as ‘falas-tortas’ de quem narra que podem não agradar a todos os gostos).

    Enfim: Parabéns. Continue escrevendo que estarei acompanhando.

  4. Tom Cardoso  Says:

    estava ansioso, como paulista que sou, pela volta do Jeito Baiano. Ele voltou em ritmo baiano – mas voltou.

    abraço do filho Tom.

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