BAIANICES – por ZÉDEJESUSBARRETO

postado por Jary Cardoso @ 7:58 PM |
24 de julho de 2009

JEITO BAIANO


O jeito de ser baiano está

Num certo ritmo de andar

Num jeito mole de falar

No sem tempo de não ser.

Baiano gosta de acarajé, bolo de fogo

Come caruru visguento com as mãos

Reverencia tudo que vem do mar

Pois mar é fêmea, é mãe

E Bahia é também reinado de Aiocá.

Ama-de-leite Bahia …

Águas sagradas do caldeirão kirimurê

Baía de todos os santos, caboclos, orixás, inquices, voduns, encantados…

Bahia de todos os pecados

Onde tudo se mistura… e é recriado.

Jeito de ser baiano

Que se aprende com as mães pretas

Donas dos terreiros, dos tabuleiros

E se fica sabendo que Deus é de todos, Olorum é um.

E Orixá é manifestação da Natureza, sagrada

Que acima de tudo deve ser respeitada

Ilê de nuvens brancas, tambores do Pelô/Olodum.

Jeito de ser baiano é gostosura de viver

Sem agonia, sem dever

Assuntando o tempo

Pisando o descalço chão

Dando uma mijada ao vento

Cuidando do sentimento

Pelo sim, pelo não.

Um jeito de ser baiano

É vestir branco na sexta, pelo ‘santo’ do dia.

Jeito de ser baiano é torcer pelo Bahia

E ter o Senhor do Bomfim como guia.

(zédejesusbarreto / março 2009)


Este poema foi produzido por zédejesusbarreto como reação à notícia de que acabara de ser criado o blog Jeito Baiano, no dia 12 de março de 2009. Desde então ele tem sido o grande colaborador deste blog, com textos, ideias, informações, saques, sugestões de pauta e de fotos, indicação de nomes de expoentes da baianidade para escreverem aqui e/ou serem ouvidos etc. etc. No começo do blog, quando indagado sobre como apresentá-lo aos leitores, ele autodefiniu-se simplesmente assim:

FotoBarretozédejesusbarreto é jornalista, 61 anos, baiano nascido nos Mares e criado no Subúrbio Ferroviário. Sobrevive de palavras.

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No Responses to “BAIANICES – por ZÉDEJESUSBARRETO”

  1. Isabel Ribeiro  Says:

    Barretinho, que bom que te encontro aqui, espero que lembres de mim, trabalhamos em algumas mídias nessa cidade de belezas tão grandes quanto a exclusão a que é submetida a população negra. mando resumo de encontro realizado nesse final de semana. Queria multiplicar esse encontro, porque a mídia oficial tem donos que não se interessam pelo tema, beijos. se precisar de mais informações me diga.

    Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha

    Nos dias 24 e 25 de julho 2009, no Centro de Estudos Afro Orientais CEAO, Salvador Bahia, numa sexta-feira e sábado de clima agradável e cúmplice, aconteceu o encontro de mulheres negras, para refletir acerca desse dia dedicado à mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, estavam lá mulheres dos mais variados segmentos e cantos da cidade.
    A ideia de reunir mulheres de movimentos sociais com gestoras de algumas instituições públicas partiu da Sepromi-secretaria de promoção da igualdade, através da sua superintendente de políticas públicas para mulheres Valdecir Nascimento, e como toda boa ideia, ‘bombou’, os depoimentos relatados em palavras simples e diretas das mulheres dos movimentos populares com as pescadoras e mulheres do subúrbio, no primeiro dia do encontro, contou das lutas, perdas, e avanços, ainda muito pouco para o tanto de necessidade que enfrentamos, mas estava ali a centelha, que não apaga, e que tem o poder de inflamar outras tantas.
    E por falar em poder, o dia seguinte, aberto por um delicioso café, colocou na mesa, mulheres gestoras, Defensoria Pública, Ceao e Ceafro, Uneb, Sepromi, profissionais falando de suas instituições, e colocando-as a serviço de quem verdadeiramente delas necessita, um exercício simples e que pode interferir enormemente na qualidade da nossa vida.
    Isso nos faz pensar em porque um dia como esse instituído há 12 anos ainda é desconhecido para a maioria das pessoas, e em porque para a mídia local não é considerado notícia de destaque.
    Outros 25 de julho virão, e certamente reflexões e celebrações se multiplicarão na capital e nas centenas de municípios deste Estado da Bahia, e essa iniciativa, há de provocar novas e mais saudáveis relações entre a população e instituições públicas.

    Isabel Ribeiro

  2. Bernadette de Freitas  Says:

    Amei este seu comentário. Sou gaúcha mas sempre digo que sou a gaúcha mais baiana que tem aqui. Conheço minha Salvador, permita-me dizer assim. Sempre em minhas férias estou indo para esta cidade tão amada e querida minha. Aliás não só minha, mas sim de todos que a conhecem. A Bahia é uma cidade de mil encantos e seu povo é de um calor humano sem comentários. Tudo isso que você falou é a mais pura verdade. Que todos os orixás abençoem este povo lindo, este povo que irradia uma grande magia sim, como é cantada na música do grande compositor Geronimo. E você adorei ter conhecido por aqui mas que valeu muito para mim. Fique na grande certeza que amei muito o que você escreveu. Parabéns a você e a esta sua maravilhosa maneira de escrever e dizer tão bem de um povo tão lindo quanto é o povo da Bahia.

  3. mga  Says:

    ba, nada mais “ocê” do que esse jeito baiano de ser. é como um trecho da canção que diz assim “certas canções que ouço/ cabem tão bem em mim/ que perguntar carece/ como não fui eu quem fiz”. jary, não fique enciumado mas o jeito baiano é esse seu velho parceiro, bruxo barreto.
    abraços.

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