FLORISVALDO MATTOS LANÇA OBRA POÉTICA ESSENCIAL

postado por Jary Cardoso @ 8:32 PM
13 de abril de 2011

POESIA REUNIDA E INÉDITOS,

O NOVO LIVRO DE FLORISVALDO MATTOS

 

A obra Poesia Reunida e Inéditos concretiza uma antiga aspiração dos admiradores de Florisvaldo Mattos: ver reunida, no seu conjunto, sua poesia, dos anos 1950 até os nossos dias. O livro, editado pela Escrituras, de São Paulo, será lançado na Livraria Cultura, do Salvador Shopping, nesta quinta-feira, dia 14, a partir das 18 horas.

Como diz Alexei Bueno, no texto das orelhas, o livro representa “meio século de expressão lírica de um grande poeta grapiúna, soteropolitano, baiano brasileiro e universal (…) um dos poetas com mais requintado senso da terra, da coisa rural, dos mais ligados a seu momento histórico”.

Entre os poetas brasileiros surgidos na década de 1960 – fase extremamente criadora, aqui e no mundo – um dos altos postos pertence a Florisvaldo Mattos. Sua obra poética, dominada por uma dicção fortemente pessoal, é, ao mesmo tempo, de uma abrangência e de uma variedade que desconcertam qualquer crítico.

Um dos polos essenciais da criação de Florisvaldo Mattos, como destaca JC Teixeira Gomes no prefácio do livro, “é o cultivo de um lirismo sempre comedido, trabalhado com extrema propriedade de recursos, sendo certamente o único na sua geração que transita do lírico para o épico com absoluta naturalidade, mestre nos dois caminhos poéticos, consciente do poder que tem sobre as palavras”.

O vasto conjunto lírico que encontramos nesta Poesia reunida e inéditos representa, portanto, um monumento da poesia brasileira de entre a segunda metade do século passado e a primeira década do presente, erguido por um espírito agudamente atento ao tempo e dele liberto, como sempre é, paradoxalmente, o dos grandes poetas.

FLORISVALDO MATTOS e seu novo livro. Foto de RAUL SPINASSÉ | Agência A Tarde – 12.4.11

 Sobre o autor

Florisvaldo Moreira de Mattos é natural de Uruçuca, no sul do Estado da Bahia. Fez os estudos primários na cidade natal e os secundários em Itabuna e Ilhéus, completando-os em Salvador, onde se diplomou em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1958); mas optou pelo exercício do jornalismo profissional, ocupando cargos em vários jornais, como repórter, chefe de reportagem, redator, editor e editor-chefe. Integrou o grupo nuclear da Geração Mapa, que atuou na Bahia nos anos 1960 sob a liderança do cineasta Glauber Rocha.

Escritor e poeta, atuou nas revistas Ângulos e Mapa, ambas editadas em Salvador. De 1990 a 2003, foi editor do suplemento Cultural, publicado semanalmente pelo jornal A Tarde, premiado em 1995 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Desde 1995, ocupa a Cadeira 31 da Academia de Letras da Bahia. Ex-professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, também exerceu, entre 1987-89, a presidência da Fundação Cultural do Estado.

Obras publicadas:

Reverdor (1965); Fábula Civil (1975); A Caligrafia do Soluço & Poesia Anterior (1996), pelo qual recebeu o Prêmio Ribeiro Couto de Poesia, da União Brasileira de Escritores; Mares Anoitecidos (2000) e Galope Amarelo e Outros Poemas (2001) (todos de poesia); Estação de Prosa & Diversos (coletânea de ensaios, ficção e teatro, 1997); A Comunicação Social na Revolução dos Alfaiates (1998) e Travessia de oásis – A sensualidade na poesia de Sosígenes Costa (2004), ambos de ensaios.

Como poeta e ensaísta, publicou textos em jornais e revistas de literatura e ciências humanas, estaduais e nacionais, e tem poemas publicados em

antologias do Brasil, Portugal e Espanha (Galícia).

Características editoriais

Título: POESIA REUNIDA E INÉDITOS

Autor: Florisvaldo Mattos

Gênero: Poesia

Assina a orelha: Alexei Bueno (poeta e escritor carioca)

Assina o prefácio: João Carlos Teixeira Gomes (poeta, ensaísta, jornalista, professor universitário, membro da Academia Letras da Bahia)

Publicação: Escrituras Editora (Endereço: Rua Maestro Callia, 123 – Vila Mariana – São Paulo, SP – CEP: 04012-100).

Número de páginas: 352

Capa, projeto gráfico e editoração eletrônica: Felipe Bonifácio.

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UM DOS POEMAS DO LIVRO ESCOLHIDO POR FLORISVALDO MATTOS ESPECIALMENTE PARA O BLOG JEITO BAIANO:

TEMPOS DE ARLEQUIM

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Salvador é Carnaval. Quando cheguei,

Em noite de Segunda-Feira Gorda,

As cores da cidade feiticeira

E os meus olhos na praça fumegavam.

Havia corso e blocos veteranos

(Nomes claros que hoje fazem sonhar).

Sobem os Inocentes em Progresso,

Descem os Mercadores de Bagdá.

No Bob’s Bar, que depois será Cacique,

Param o som travesso e a peraltice

Da guitarra elétrica na fobica;

Uma estrela desponta e, com a luz dela,

A multidão que pula e agita ramos

(A prévia tosca da mamãe-sacode)

Canta, dança, grita, bebe cerveja.

Eu ali que faço? Acompanho o passo.

Batalhas de confete e serpentina,

Pierrôs, lança perfume, colombinas,

Estrelejando o chão da Rua Chile,

Onde desfilam afoxés. (A brisa

É mais um concorrente da folia,

E eu, olhos postos em longínqua trama

De sonhos dando voltas num salão

E numa rua, espelho do infinito.)

Avança por meu tempo de incertezas

A máscara sedutora do passado,

Blocos de rancho fecundando auroras

E o entardecer de etéreas batucadas.

Súbito são morenas de um cordão;

Arlequim invasor da madrugada

Agarra-se à cintura de uma delas

E sobe a praça rumo à Sé que ferve.

GLAUBER ROCHA e FLORISVALDO MATTOS, expoentes da GERAÇÃO MAPA. Arquivo A Tarde

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ORELHA DE POESIA REUNIDA E INÉDITOS

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Texto de ALEXEI BUENO*

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Entre os poetas brasileiros aparecidos na década de 1960 – década fulgurantemente criadora, aqui e no mundo – um dos altos postos pertence a Florisvaldo Mattos. O presente livro reúne, portanto, meio século de expressão lírica de um grande poeta grapiúna, soteropolitano, baiano, brasileiro e universal, pois toda a poesia plenamente realizada atravessa essas camadas sutilmente aleatórias da biografia de um artista, para atingir, enfim, aquela totalidade puramente impessoal a que tendem todas as artes, além das condições cronológicas e geográficas que presidiram seu surgimento, ainda que, no caso da poesia, com o senão, sob o aspecto do alcance, da sua quase intraduzibilidade.

A obra poética de Florisvaldo Mattos, dominada por uma dicção fortemente pessoal, é, ao mesmo tempo, de uma abrangência e de uma variedade que desconcertam qualquer crítico, e ainda mais um admirador adstrito a poucas linhas como o que aqui escreve. Se desde Noticiário da aurora deparamo-nos com uma poésie pure em seu exato sentido, pouco depois assistiremos ao seu insólito encontro com a História, em Cinco monólogos de Garcia d’Ávila. Dos poetas brasileiros com mais requintado senso da terra, da coisa rural, Florisvaldo Mattos é ao mesmo tempo dos mais ligados a seu momento histórico, como podemos ver no admirável “Não aos cavalos triunfantes”, um dos maiores poemas nascidos do horror aos crimes cometidos na Guerra do Vietnã, bem como nos poemas às mortes de Gagárin, de Neruda ou à tão traumática desaparição de Glauber Rocha, sobre a qual compôs a poderosa elegia “A edição matutina”. Visceralmente ligado à sua terra natal, é autor, por outro lado, de memoráveis poemas de ambiente ibérico. Poeta antes de tudo, rendeu homenagens inesquecíveis a outros poetas, como “Rimbaud là-bas”, “Verlaine, 1891”, o magnífico poema “Duas almas” ou aqueles dedicados ao grande Sosígenes Costa, que ladeiam outros dedicados ao Jazz, à pintura e inclusive ao futebol, como o brilhante “Maradona”. Senhor de um verso livre às vezes rude, ou de um sonoro verso branco, é igualmente grande sonetista, ao lado de seus conterrâneos que cultivam esta maior forma fixa do lirismo ocidental, João Carlos Teixeira Gomes, Ildásio Tavares, Ruy Espinheira Filho ou Luiz Antônio Cajazeira Ramos. Poeta fortemente telúrico, como já afirmamos, é autor de admiráveis marinhas, algumas delas na ambiência histórica da Guerra Holandesa.

O vasto conjunto lírico que encontramos nesta Poesia reunida e inéditos representa, portanto, um monumento da poesia brasileira de entre a segunda metade do século passado e a primeira década do presente, erguido por um espírito agudamente atento ao tempo e dele liberto, como sempre é, paradoxalmente, o dos grandes poetas.

*Alexei Bueno é poeta e escritor; autor, entre outros, de Lucernário, poesia, e Uma História da Poesia Brasileira.

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Na foto de 1959, o encontro das gerações das revistas "Mapa" e "Ângulos": da esquerda para a direita, Nemésio Sales, João Carlos Teixeira Gomes, Antônio Guerra Lima e, atrás, Florisvaldo Mattos e o gravador Calasans Neto, celebrando o noivado de Glauber com a bela Helena Ignês. E mais os gravuristas Hélio Oliveira e José Maria. Arquivo A Tarde

PREFÁCIO DE POESIA REUNIDA E INÉDITOS

 

DE CORPO INTEIRO

 

Texto de JC TEIXEIRA GOMES*

 

Este livro concretiza uma antiga aspiração dos admiradores da poesia de Florisvaldo Mattos: vê-la reunida no seu conjunto, permitindo, assim, a visão integral, pelo menos até o presente, de uma das produções poéticas mais relevantes produzidas (não só na Bahia, mas em escala nacional, ressalte-se) aproximadamente dos anos 50 até os nossos dias.

Disse Victor Hugo, num dos seus versos mais poderosos, que “um poeta é um mundo em um homem contido”. Lembremos que a poesia ocidental nasceu sob o signo dessa verdade, se lembrarmos que a Grécia Clássica está em Homero e grande parte da majestade de Roma, em Virgílio. O grande verbo poético, sobretudo na poesia épica, tem o condão de sintetizar as particularidades, as aspirações e os grandes rasgos culturais dos povos celebrados pelos rapsodos, que se fazem, assim, seus intérpretes mais autorizados.

Desejei, com o parágrafo acima, lembrar que uma das marcas fundamentais da poesia de Florisvaldo Mattos é precisamente o impulso épico, ao lado do seu pendor lírico, que o fez escrever um dos conjuntos de poemas curtos, sobretudo sonetos, mais belos e representativos da sua geração. E o fez sobretudo porque é um criador dominado pelo “lavor da razão”, como confessou num dos seus poemas, fato que ordenou a sua linguagem para que ela se despojasse de todo ornamento inútil , buscando a essencialidade da expressão verbal, sem os transbordamentos habituais no lirismo brasileiro.

O compromisso épico está na base da poesia do nosso autor, desde o momento em que ele lançou o livro Reverdor, de 1965, celebrando a saga heróica dos pioneiros que desbravaram as terras baianas, nos albores da colonização, como lemos nos longos poemas “A domação das pedras” e “Cinco monólogos de Garcia D´Avila” ambos de grande fôlego e transcendente força poética. E esse compromisso se dilatou nos versos que evocam a sua condição de grapiúna, nascido e criado na terra da outrora poderosa lavoura cacaueira, que deu à sua poesia a dimensão telúrica inaugurada na poesia ocidental por Hesíodo, Teócrito e Virgílio, este último um preceptor da faina agrária com as suas famosas ”Geórgicas”, que podem ser lidas como um tratado do amanho da terra. Num dos seus poemas mais trabalhados, diz-nos Florisvaldo Mattos:

Meu canto gravado de um sabor oculto de águas

Esquecidas fabricarei no campo com suor

De rudes trabalhadores, de chuvas, sepultando-se

De búzios pontuais, lamentos e desgraças.

Forçosamente rústicos caindo sobre os campos,

Pelo ar, compacto de húmus e branco vinho caindo

Sobre plantações. Sobre húmus caindo (…).

Ou então, como no “Poente aos bois”:

No olhar de melancolia e trabalho vespertino

Passeia desnudo entre folhas cegas

Um sacrifício comum de agrícola fadiga,

Paisagem desesperada nutrindo-se

De sombras, de canção despedaçada

Entre cedros e riachos.

Em suma, como bem expressou Hugo no verso que transcrevemos, há um mundo que pulsa na poesia de Florisvaldo Mattos, o mundo da terra grapiuna e da saga dos conquistadores do passado, tão presente em numerosas outras composições suas, expressas em versos brancos (isto é, sem rimas) com tanta naturalidade e competência artesenal, que preserva a musicalidade tão característica do decassilabo do nosso poeta, próxima, por vezes, dos líricos de língua espanhola. A rima, aliás, jamais foi usada na grande poesia épica, e chegou a ser qualificada por Milton, no prefácio de “Paraíso Perdido”, como invenção “de uma idade bárbara”, lembrando o poeta que ela não existia no tempo de Homero e de Virgílo, ou seja, na idade de ouro do canto coletivo.

O outro polo essencial da criação de Florivaldo Mattos é o cultivo de um lirismo sempre comedido, trabalhado com extrema propriedade de recursos, sendo certamente o único na sua geração que transita do lírico para o épico com absoluta naturalidade, mestre nos dois caminhos poéticos, consciente do poder que tem sobre as palavras.

O território poético brasileiro está repleto de poetas que lutam com as palavras, aliás, uma luta “vã”, como lembrou Carlos Drummond de Andrade, pois o fazer poético passa a ser um desastre verbal, quando traduz um confronto do poeta com os seus meios de expressão. Não é raro que os poetas nacionais sejam derrotados pelas palavras, em vez de, pelo menos, domá-las ou seduzi-las, num processo amoroso que conduz ao parto perfeito, entre nós tão raro.

Se o calor dos trópicos torna o pensamento difícil, conforme assinalou Sílvio Romero, mais difícil ainda é o pensamento poético isento dos ardores tropicais, estimulador do martírio da verborragia nacional. Pois em Florisvaldo Mattos o que ressalta é a contenção. A palavra tem que ser trabalhada como suporte essencial, jamais supérfluo, do arcabouço do poema, ser de linguagem e não um reduto de sentimentos estereotipados, prosaicos ou confessionais. Quem quer confessar-se deve escrever cartas ou ir ao padre e não tentar poemas, pois a magia da escrita transcende a lamúria do confessionário. Por saber que um poema não é um redutor do muro das lamentações, o nosso poeta soube construir em sua obra a linguagem das essencialidades liricas, aquela que se transmite sem excesso, buscando o mínimo para obter o máximo. Como, por exemplo, neste magnífico soneto, construído sobre um jogo raro de excepcionais metáforas:

Talvez um lírio. Máquina de alvura

Sonora ao sopro neutro dos olvidos.

Perco-te. Cabra que és já me tortura

Guardar-te, olhos pascendo-me vencidos.

Máquina e jarro. Luar contraditório

Sobre lajedo o casco azul polindo,

Dominas suave clima em promontório;

Cabra: o capim ao sonho preferindo.

Sulca-me perdurando nos ouvidos,

Laborado em marfim – luz e presença

De reinos pastoris antes servidos –

Teu pelo, residência da ternura,

Onde fulguras na manhã suspensa:

Flor animal, sonora arquitetura.

Já escrevi sobre essa obra-prima estas palavras, que agora transcrevo, numa homenagem ao leitor: “Toda uma tradição da poética ocidental está aí presente, inclusive da vertente barroca(…). A riqueza dos processos de substituição e associação transforma a cabra contemplada pelo poeta numa “máquina de alvura”, num jarro abandonado e, sucessivamente, pela impressão transmitida à distância do ângulo de visão, numa flor e numa peça de arquitetura jogada na paisagem. Somente a alta poesia pode transubstanciar dessa maneira a realidade do mundo físico pela linguagem. Por isso a poesia é o mais difícil e complexo dos gêneros literários(…)”.

Quanto aos novos poemas reunidos neste livro, novamente se instaura aqui o envolvente jogo entre o épico e o lírico que, intermitentemente, assinala toda a produção do autor, como um compromisso essencial da sua engenharia poética, da melhor linhagem aristotélica, pela aderência à forma despojada, como poderemos ver em muitos dos que o poeta publicou em Mares Anoitecidos (2000), onde retoma a vertente épica, quando elege como tema, de forma deliberada e autônoma, o malogro dos holandeses na invasão da Bahia entre 1624 e1625, em que toma o partido da descrição de emoções e vivências na perspectiva trágica dos vencidos, como disse, “pela voz de quem se inseriu num jogo de contradições” e desespero, de cuja série destaco o poema intitulado “Rochedos”, de veia epico-lírica, evocativa de um itinerário barroco de infortúnios:

Meu coração agora te pertence

lua que vaga sobre esses rochedos,

eles mesmos reflexos de longínquos

muros, agora esfinges a espreitar

distâncias, a arrimar arquitetura

nostálgica de cercos, a exumar

brasão latino ou artifício mouro.

Meu coração agora vos pertence,

graves rochedos, arsenal de fúrias,

que são artes do tempo, vosso algoz:

em quieta hora de tarde ou noite morna,

decreto imemorial que a espuma lavra,

a ruína e morte, e a solidão, alude

o som da água que ruge a vossos pés.

Ou quando, em Galope Amarelo e Outros Poemas (2001), a voz lírica se alça por luxurioso percurso em que se desata e se impõe a presença feminina nos catorze decassilábicos dardejos de “Passos e acenos”:

(…)

De pé, agitas os vaporosos membos,

ao calor da voz que atordoa o vento.

Sentada, as formas se acomodam, urdem

rútilo desenho. É quando, pasmo, ouço

o marulho do sexo, ávido. Bem

que mereço essa onda, ronda de garras

que me acenam, me buscam pela tarde.

Poemas outros neste mesmo timbre lírico há entre os inéditos desta sua Poesia Reunida, todos lavrados numa mesma oficina de madura inspiração e técnica, como no soneto “Estrela súbita”, em que ressoa dadivosa a idéia nietzcheana do eterno retorno:

Nunca te vi dizer-me que me queres.

Eu queria te ver tocando flauta,

Sem a sabedoria das mulheres,

Na varanda distraída, como incauta.

Na de lusos pensei história antiga,

Ao pressentirem ninfas entre arbustos.

Se o vento manda que o perfume as siga,

A vibração começa pelos bustos.

Vens de um país de renovadas auras.

Como ninfa te portas, se proponho

Mover os muros que entre nós instauras.

Do vento ouço o ruflar de suave escolta.

Marinheiro que agora sai de um sonho,

Cogito que eras tu que estás de volta.

E assim outros mais e mais outros. Mas não nos alonguemos, pois o importante é que os leitores possam traçar por conta própria o livre roteiro das descobertas. Enfim, que saibam desdobrar à sua frente, com sensibilidade e devoção, o grandioso mapa da poesia de Florisvaldo Mattos.

*João Carlos Teixeira Gomes é jornalista, poeta, articulista e ensaísta; professor aposentado do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, membro da Academia de Letras da Bahia.

DESAGRAVO A MARIA BETHÂNIA

postado por Jary Cardoso @ 11:02 PM
6 de abril de 2011

Reúno neste post textos de desagravo a Maria Bethânia – e, por extensão, à Bahia e aos baianos – que chegaram ao meu e-mail de editor de Opinião do jornal A Tarde.

MÃOS POÉTICAS DE MARIA BETHÂNIA – por GENTIL

SOBRE BAIANADAS

E INDELICADEZAS


texto de Zédejesusbarreto*


Manifestações recentes que ganharam espaço na grande mídia e renderam comentários nas redes internéticas demonstram que, ao invés de diminuir, alarga-se e aprofunda-se o fosso do preconceito racial, espacial e cultural contra os nordestinos, sobretudo os baianos, a partir de uma parcela da população do chamado ‘sul maravilha’ que se julga formadora de opinião, notadamente a paulistada. Pior, acham respaldo pelas bandas de cá.

O alvo mais recente foi Maria Bethânia, espinafrada por ter obtido aprovação do Ministério da Cultura para conseguir financiamento privado isento de impostos, garantido pela Lei Rouanet, e poder viabilizar um projeto cultural e educativo de um recital de poesias de qualidade através de um blog. Pronto.

Daí, não se trata da justeza dos valores e nem se discute a originalidade ou o alcance social do projeto. Caem de pau porque é Bethânia, irmã de Caetano, amigo de Chico, sogro de Brown, irmão de Ana de Hollanda, atual ministra da Cultura, sucessora de Gil, marido de Flora, amiga de Andrucha, da patota da Ivete que ‘é assim’ do Parangolé, tudo Axé… tudo uma baianada só, essa renca de nordestinos, restos do atraso, todos metidos a besta, periculosos integrantes da chamada ‘máfia do dendê’.

E assim rolam as maledicências, o linchamento, a absoluta falta de respeito. Claro, tudo isso bem acomodado, revestido, envernizado na mentalidade nazi-stalinista-neo liberal, ora vigente e dominante em certos círculos privilegiados deste patropi. E não me venham questionar essa tal mistura, pois o mais estranho é a indecente postura. Lá deles!

Mas não é só Bethânia, Caetano, Canô… O preconceito salta os muros da produção artística. Dias passados, a vítima foi o Esporte Clube Bahia, primeiro Campeão Brasileiro de Futebol e um dos fundadores do chamado Clube dos 13, entidade que agrega/desagrega os principais clubes do país e organiza, negocia com CBF e TVs a tabela, regulamento e transmissões do Campeonato Brasileiro.

Pois bastou o Bahia fechar negócio com a Rede Globo visando a veiculação de seus jogos na Primeira Divisão do Campeonato de 2011 para que a mídia escrita, falada, televisiva e digitalizada caísse de pau, taxando os baianos de traidores, pelo rompimento com o tal Clube dos 13, e que tal traição provocaria a adesão de outros clubes nordestinos, todos indignos de confiança, afinal.

Muito bem, só que antes de o Bahia comunicar ao Clube dos 13 que estava negociando com a emissora em pauta outras dez agremiações, integrantes da patota, já haviam feito o mesmo, sem que fossem por isso malhadas. Sim, eles lá podem tudo, mas nós, os nordestinos… é tudo baiano, pereba, paraíba… Pau neles!

Aliás, logo que a presidenta Dilma foi eleita, os sites, blogs e redes virtuais atolaram-se de acusações contra os nordestinos, responsabilizando-os pelo secular atraso do Brasil, e que por causa de nossa ignorância histórica e irremediável Dilma fora eleita a primeira presidenta do país. Como isso fosse a perpetuação de nossa desgraceira! Pois bem, a nossa presidenta está aí firme, com mais de surpreendentes 70% de aprovação popular nestes primeiros meses de governo. Eis a resposta política.

Quanto ao projeto de Bethânia, que é uma pessoa decente, não se trata de encher o rabo com o dinheiro público, como outros tantos projetos inscritos e aprovados pela mesma Lei Rouanet que, aliás, merece ser rediscutida, revista e adequada às novas exigências do tempo, conjuntura social e das mídias, em vorazes mudanças.

O projeto de Bethânia, uma artista das palavras que vem há algum tempo usando da música e da poesia no resgate de valores da cultura popular, contextualizando seu trabalho com a educação, chegando às escolas… tem a ver com a percepção de mundo mais humana. Ela acredita nisso. É com a palavra bem dita que se afia a sensibilidade das pessoas. O mundo precisa de poesia, sim. A vida carece de delicadezas. Mas essa gente, que se alimenta de preconceitos, vive a urdir intrigas e espalhar maledicências, crê em alguma coisa acima dos atropelos de ‘se dar bem’ a qualquer custo?

*Zédejesusbarreto, jornalista e escrevinhador

abril/2011

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OH BETHÂNIA, PERDOE-NOS!


texto de HUGO PASSOS*


É revoltante o linchamento virtual absurdamente injusto da qual está sendo vítima a cantora Maria Bethânia na internet. Uma nota maldosa divulgou de maneira distorcida a aprovação por parte do Ministério da Cultura, da possibilidade de captar recursos privados através da Lei Rouanet (que permite ao mecenas abater o investido no imposto de renda), de um projeto para a criação de um vídeo-blog da qual a cantora participaria chamado “O Mundo Precisa de Poesia”. E isso foi o suficiente para iniciar uma onda de protestos despropositados.

Criado a partir do convencimento de Bethânia pelo antropólogo Hermano Vianna, o blog realizaria e disporia gratuitamente 365 vídeos com poemas escolhidos pela cantora e por ela recitados. Milhares de internautas mal informados puseram-se a postar textos, notas e vídeos na internet com infâmias e ofensas desprovidas de qualquer verdade, justiça ou nexo. O apedrejamento mais errado que se possa imaginar. Aprovado em R$ 1,3 mil, o valor do projeto impressionou muita gente acostumada a ver a internet como um veículo de segunda classe, destinado a transmissão de conteúdo gratuito e feitura amadora.

Muitos repudiaram o cachê da cantora. Mas o valor econômico da arte é mensurado de um modo muito mais complexo do que imagina a mente de um linchador. O que está previsto é que Betânia receba algo em torno de R$ 1.600 referentes a cada um dos 365 vídeos que gravaria. Quem trabalha no meio sabe o quão simbólico é um cachê nesse valor para um artista consagrado. Os vídeos poderiam ser vistos gratuitamente, baixados e até exibidos: 365 pedaços de arco íris para embelezar cada um de nossos dias do ano, como frases bonitas no rodapé do calendário.

Poesia recitada é um afago ao cérebro e uma homenagem à lindeza da língua portuguesa. E ninguém no país recita melhor do que Bethânia. Aliás, talvez possa até ser dito, pouca gente no Brasil lançou mais compositores do que ela. Os clássicos também podem ser ouvidos através de sua voz. Procure no youtube por Fernando Pessoa e já no segundo resultado aparecerá o nome de Bethânia. São trechos capturados em shows por fãs. O blog seria a possibilidade de termos toda essa beleza encapsulada pela lente talentosa do Andrucha Waddington e disposta para todos, e para sempre.

Mas talvez não as tenhamos mais. Temo que Bethânia tenha já se assustado, arisca que é, com o linchamento virtual, praga moderna da qual foi vítima (logo ela?).

Os cegos quixotes, donos da verdade-equivocada destroem sonhos e vidas. Estimulados por irresponsáveis como Lobão que para variar, disse equívocos aviltantes. Nisso dá o analfabetismo político-científico. Que, misturada com autoconfiança intelectual, vira nitroglicerina. A lei é mais utilizada pelos estados onde há maior concentração de projetos requeridos e essa é uma das vantagens que ela tem. É usada para permitir a existência de obras como: CDs e DVDs musicais de todos os gêneros, espetáculos teatrais, fanfarras do interior, turnês de artistas nacionais e até estrangeiros. Financia tanto filmes campeões de bilheteria como também outros mais restritos.

Graças à Lei Rouanet temos um público crescente para o cinema nacional, por exemplo. O governo financiar cultura é tão importante quanto financiar ciência e educação. Sem ela o ser humano além de não amadurecer, apodrece.

Há pontos questionáveis que podem e devem ser revistos. Mas “O Mundo precisa de poesia” não podia ser um exemplo de equívoco porque se trata de um projeto deslumbrantemente lindo e generoso e que deveria ser usado justamente como exemplo das maravilhas que uma cultura, um artista e uma lei podem nos dar.

Mas agora já não sabemos se Bethânia será capaz de se deixar filmar declamando outra vez. A motivação do verdadeiro artista é muito frágil (saibam!). Como disse o genial Jorge Furtado: “O governo deveria lhe mandar o financiamento com um buquê de flores e um cartão com pedido de desculpas”. E finalizo com Hermano Vianna: “Agora vejo mais do que nunca o quanto o mundo precisa de poesia”. Oh Bethânia, perdoe-nos!

*Hugo Passos – Cineasta e diretor de TV

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REVELAÇÕES

QUE UMA VOZ TRAZ


texto de MARLON MARCOS*


Ninguém está acima do bem e do mal em nossas relações sociais; ninguém deve escapar da crítica e do controle sociopolítico que defenda os interesses coletivos de um povo, de um país. Todavia, qualquer defensor dos interesses sociais e da receita que sustenta o andamento econômico de uma nação não pode viabilizar, em nome de uma fiscalização estapafúrdia e daninha, o linchamento midiático, público e privado, de nomes que consagram a nossa cultura e que, do lugar que ocupam, fazem nascer possibilidades de um destino melhor para grande parcela da sofrida população brasileira.

Penso em Maria Bethânia. 46 anos de carreira impecável, se impondo contra os padrões da mídia que a ajudou a se consagrar como um mito contemporâneo brasileiro. Uma mulher que estudou só até a antiga oitava série ginasial, e é considerada por intelectuais, como o baiano Paulo César Souza, tradutor de Nietzsche e Freud no Brasil, como um “gênio brasileiro”.

Uma artista voltada a registrar em sua obra a poética popular de nossa inventividade e nos levar para o esquecido interior deste extenso continente, pautando a favor da beleza e da dignificação social: o negro e o índio, o caipira nordestino e os violeiros dos sertões; traz na voz a sonoridade genial de Roberto Mendes e as canções primorosas de Roque Ferreira.

Ressignifica, ao adorar a memória de uma iyalorixá, a pluralidade sacerdotal neste país de tantas etnias e matrizes culturais diversas. Uma mulher comum no seu jeito cotidiano de ser e rara quando sobe num palco.

Uma militante da palavra feito poesia. Aquela que, desde os 19 anos, mistura a aridez do sertão nordestino às águas salgadas do poeta Fernando Pessoa; a que espalha a genialidade em expressão feminina de Clarice Lispector à de expressão masculina de Guimarães Rosa. A que puxa um ponto de caboclo e sai com melodia sentimental, de Villa-Lobos, sem adulterar nada nem ninguém. A cantora, no Brasil, que melhor singra os mares de qualquer poeta em língua portuguesa e canta a beleza como razão de ser.

Consagrada e bem paga como deve ser. Menos que Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Xuxa. Maria Bethânia é corpo integrante desta sociedade capitalista, que rima qualidade com valor de mercado, e para sobreviver, do alto da sua exigência artística, altivez existencial e ares de diva, tem que “saber cobrar, lucrar” para continuar no mainstream da Música Popular Brasileira e ter poder de captar recursos para espalhar a tal poesia que todos esquecem todo dia; lembram hoje, porque o belo projeto “O mundo precisa de poesia”, que reúne outros monstros como Andrucha Waddington e Hermano Vianna, poderá custar 1 milhão e trezentos mil reais.

O subtexto mais profundo é o de que poesia é das praças, dos bares, das ruas; que os poetas de verdade morrem como Castro Alves, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Ana Cristina Cesar; ou seja, dão à poesia o lugar da miserabilidade, do tipo: Caio Fernando Abreu, em Londres, lavando prato, e na livraria em frente, seu livro Morangos mofados traduzido em destaque, e ele bem poético, sentindo fome e frio, em nome do tal heroísmo brasileiro.

Ou então, culpam Maria Bethânia por seu poder de barganha acima dos possíveis defeitos da Lei Rouanet; satirizam com projetos de outros blogs menos “caros”; ofendem, cretinamente, a artista como gananciosa e desonesta. Provando que, os fiscais desse Brasil não têm memória histórica e sensibilidade poética para alcançar as sutilezas deste projeto que são bem maiores que a quantia que poderá ser captada.

Sou fã de Maria Bethânia, me impressiono com sua entrega artística, a voz incomum, o trabalho de pesquisa, a beleza rascante antipadrão, os ensinamentos antropológicos que me chegam a partir dos seus trabalhos e mais que tudo, me desequilibro com suas récitas louvando a língua portuguesa e que me ensinaram muito da poesia que me acompanha todo dia.

Maria Bethânia se ergue das grandes epifanias que a literatura lhe faz e as trazem na voz para este mundo cada vez menos poético.

*Marlon Marcos – Poeta, jornalista, antropólogo

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O MUNDO

PRECISA DE POESIA


texto de CLAUDIO CARVALHO*


Em conversa com Damário Dacruz, no Pouso da Palavra, escutei do nosso poeta ausente que foi de um poema numa campanha publicitária para uma escola de Salvador que germinou a possibilidade em realizar o sonho de ofertar uma casa de cultura à cidade de Cachoeira e à Bahia. Damário pensava grande e desejava perfazer um total de dezenove rebentos. Não perguntei por que dezenove e não terei mais a possibilidade de obter a resposta.

A poesia foi inventada exatamente para isso: diante da falta de respostas, cotejamos as palavras em combinações para tangenciar o indizível. Ao me despedir e voltar para Salvador, não imaginava que o amigo poeta num alvorecer próximo sairia de cena com seu último verso.

Nascer é quase um milagre; morrer é a certeza esquecida. E é no intervalo entre a chegada e a hora incerta de sairmos de cena que, olvidados, inventamos a narrativa de nossas vidas. A cultura é o depósito de narrativas dos que feneceram. Por isso, todas as vezes em que formos discutir a melhor forma de manejar esse tesouro, temos a obrigação de respeitar a memória dos nossos mortos, sob pena de nos parecermos mesquinhos, menores do que somos e nos avizinharmos demais da vulgaridade.

Penso nessas coisas quando estou diante de discursos burocráticos a questionarem as cifras empregadas em educação e cultura; da falta de dinheiro para remunerar dignamente os professores às suspeições frente a iniciativas fomentadoras da criação artística. Exemplo recente foi a forma vulgar e maledicente com que parte da imprensa noticiou a autorização do Ministério da Cultura para captação de recursos, via Lei Rouanet, com a finalidade de criar um blog, idealizado por Maria Bethânia, para disseminar poesia.

A sofisticação singela da artista ao entoar as palavras é o avesso da indigência cultural dos promotores da opinião publicada ao tentar confundir a opinião pública. Cotejando as palavras em combinações bárbaras, esses “velhos bárbaros” precipitam respostas falsas a questões mal formuladas – e sem querer, atestam que o mundo precisa de poesia, escorrendo da boca de Maria Bethânia.

*Claudio Carvalho – Psicanalista

***

O MUNDO

TAMBÉM LUTA COM POESIA


texto de CARLOS PRONZATO*


Tenho acompanhado o grande debate nacional a raiz dos recursos milionários autorizados pelo MinC para serem captados pela cantora Maria Bethânia para o projeto do seu blog denominado: “O mundo precisa de poesia”, onde a diva declamaria grandes autores. Para além de tudo que já foi dito a favor e contra desde todos os ângulos possíveis, principalmente em termos éticos, financeiros e legais – inclusive familiares! –, chama a atenção, pelo menos a mim e não sei se a alguém mais interessado no poético nome do blog, o patamar quase subterrâneo e desprezado reservado à poesia na avaliação das colocações dos leitores, internautas, blogueiros e afins.

Das criações humanas a arte poética ocuparia, analisando a maioria dos discursos daqueles que comentaram o assunto, o recôndito subsolo da mais nímia atividade social.Já alimentação digna, saúde e educação são apontadas pela volumosa crítica como o escopo principal desses recursos destinados aqui à fútil declamação num blog. Verdade, embora se trate neste caso específico de recursos destinados à cultura.

Mas a poesia é um amplo mar onde tudo pode navegar. Ela não se realiza apenas em sonetos alexandrinos, malabarismos gongóricos ou rebuscado cultismo. A beleza, a emoção, o deleite estético, em suma, a arte convivem também com a pulsão social transformadora.

No infinito e agitado mar da poesia também sopra o vento da liberdade e do compromisso político e este pode trazer Castro Alves, Neruda, Drummond, Pasolini – magníficas interpretações da inigualável cantora baiana – e tantos outros poetas que, com suas palavras – e os seus posicionamentos públicos – livres geralmente de couraças acadêmicas, orientam desde sempre os caminhos da humanidade frente a tanta barbárie e impunidade, desde a ocupação criminal de longínquos países em prol de recursos naturais, até o nosso doméstico destino de ver o dinheiro público repartido entre os poucos – amigos – de sempre, através de leis, pasmem! e em nome da poesia. O mundo precisa de poesia sim, mas não assim!

*Carlos Pronzato – Poeta e cineasta/documentarista

TÍTULOS DE FILMES EM BAIANÊS

postado por Jary Cardoso @ 8:40 PM
4 de abril de 2011

Esta mensagem circula pela internet e um colega mandou para o Jeito Baiano.


SE OS TRADUTORES DE FILMES FOSSEM BAIANOS:


. Uma linda mulher: A nega é toda boa

. Velocidade Máxima – O Buzu Avionado

. Os Bons Companheiros – Os Corrente

. O Paizão – O Grande Painho

. A Morte Pede Carona – A Miséra Quer Pongar

. Ghost – O Encosto

. O Poderoso Chefão 1 – ACM

. O Poderoso Chefão 2 – ACM Júnior

. O Poderoso Chefão 3 – ACM Neto

. O Exorcista – O Lá Ele

. Táxi Driver – O Taquiceiro

. Corra Que A Polícia Vem Aí – Se Pique Que Os Homi Tão Desceno

. O Senhor dos Anéis – O Coroa Dos Balangandan

. Janela Indiscreta – Vizinho Na Cócó

. Velozes e Furiosos – Virados No Estopô

. Esqueceram de Mim – Me Crocodilaram

. Forrest Gump – O Culhudeiro

. Clube da Luta – Os Comedor de Pilha

. O Cavaleiro das Trevas – O Jagunço do Breu

. Cidade de Deus – Bairro da Paz

. O Que É Isso, Companheiro! – Colé de mermo, véi!

. A Casa Caiu – A Rondesp chegou

. O fim dos dias – Nós “tamo” é lascado

. Mamma Mia! – Ó paí ó

. Turistas – Os gringo

. 2012 – Não vá que é barril!

. Guerra dos mundos – Hoje tem Ba-Vi

. O Chamado – Venha cá, véi

. O Chamado 2 – Se chegue logo, man

. À beira da loucura – Tu tá é muito doido!

. Horas de horror – Na Mira



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