BEMBÉ DE SANTO AMARO, SEGUNDO JORGE VELLOSO

posted by Jary Cardoso @ 12:01 AM
13 de maio de 2011

Pesco estas informações no site da Fundação Casa de Jorge Amado:

 

JORGE VELLOSO LANÇA LIVRO NA

FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO

Hoje, dia 13 de maio, sexta-feira, das 18 horas às 21 horas, ocorre na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, o lançamento do livro-reportagem de Jorge Velloso, Candomblé de rua – O Bembé de Santo Amaro (195 páginas, Editora Casa de Palavras, Salvador), que busca retratar o Bembé do Mercado como um fenômeno social e religioso de relevância na cultura do Recôncavo Baiano. O lançamento também será comemorado dentro das celebrações do Bembé do Mercado, amanhã, dia 14, no Barracão do Bembé, Largo do Mercado, em Santo Amaro.

Através da criação da obra, Jorge Velloso teve como objetivo mostrar cada detalhe da festa, se baseando nos motivos históricos e culturais que são de fundamental importância para a realização deste movimento. O autor buscou ainda ir além da simples abordagem do ritual e o reconstruiu para o leitor.

Todos os anos, desde 1889, em Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano, os negros e mestiços da cidade se juntam para celebrar o fim de um triste período da história do nosso país. Treze de maio, Dia da Abolição da Escravatura, é dia de festa em Santo Amaro. É dia do Bembé do Mercado, manifestação cultural que tem como foco principal o Candomblé. Vale salientar que Santo Amaro da Purificação é o único lugar do Brasil, onde acontece Candomblé de rua.

O Bembé já se tornou uma festa tradicional do Recôncavo Baiano, mas ainda é inédita a publicação de um livro-reportagem a seu respeito. Jorge Velloso afirma que escolheu o tema devido à sua “proximidade com a religiosidade afro-descendente, cercada de símbolos que enchem ainda mais a cultura negra de beleza e magia”.

Jorge Velloso nasceu em Salvador, mas sempre esteve ligado aos movimentos culturais do Recôncavo Baiano, já que sua família é de Santo Amaro da Purificação. Formado em Comunicação Social/Jornalismo – pela Universidade Jorge Amado, ele havia escrito dois livros de poesia Menino da Arraia Azul e Dia com Menino na Janela aos 6 e 8 anos, respectivamente. Passou pelos jornais Tribuna da Bahia e Correio da Bahia e atualmente é assessor de imprensa no Rio de Janeiro.

No dia do evento, o livro será vendido por um preço promocional de R$ 20,00.


VIVA CAETANO VELOSO!!!

posted by Jary Cardoso @ 9:29 AM
7 de agosto de 2009

Aproveito a data, dia do aniversário de Caetano Veloso, para desovar, digo postar dois textos que estavam para ser publicados no Jeito Baiano desde maio, mas que por uma conjunção dos astros – ou trama de orixás – só agora será possível. Os artigos de Marlon Marcos e Jorge Portugal foram motivados pela intervenção leonina de Caetano nos festejos deste ano do Bembé do Mercado, que acontecem todo 13 de Maio em Santo Amaro.

Caetano deu vivas à Princesa Isabel, atitude chocante para o Movimento Negro. Mas chamo a atenção para este trecho do texto de Jorge Portugal que é uma importante revelação e que antecipo aqui:

“(…) ouvi da boca de Dr. Samuel Vida, para mim o mais competente quadro do movimento negro na atualidade, que ‘já estava mais do que na hora de se repensar a rejeição ao 13 de Maio’, bandeira assumida pelo movimento nesses últimos 30 anos”. 

Festa do Bembé do Mercado. Foto: Prefeitura de Santo Amaro | Divulgação

Festa do Bembé do Mercado. Foto: Prefeitura de Santo Amaro 13.5.2009

 

CAETANO VELOSO

E NOVAS ASSERTIVAS

SOBRE O 13 DE MAIO

  

por MARLON MARCOS*

 

Em 7 de agosto de 1942, na cidade de Santo Amaro da Purificação, polo de efervescência cultural do Recôncavo Baiano, nasceu Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso, internacionalmente conhecido como Caetano Veloso, um dos mais representativos artistas do cancioneiro brasileiro. Divisor de águas no cenário cultural deste país, além de cantor (hoje o melhor do Brasil) e compositor, Caetano se destaca entre nós como um formulador de idéias provocativas e instigantes. Cria canções com a mesma habilidade que desfia leituras polêmicas sobre o “ser Brasil”, fazendo incursões em áreas especializadas do saber acadêmico e, às vezes, enfurecendo historiadores, antropólogos, sociólogos, linguistas, literatos e seus eternos “amores”, os jornalistas.

Foi no mês de maio do corrente ano, no dia em que se comemora a Abolição da escravatura, em Santo Amaro, que Caê tornou a irritar seus espectadores, desta vez, afirmando: “o 13 de maio é da Princesa Isabel e é burrice se negar a importância histórica da abolição”. Essa deixa inflamada ocorreu numa noite de reflexões sobre os 120 anos do Bembé do Mercado, festa religiosa do candomblé santo-amarense em comemoração ao fim da escravidão, que sempre tem sua culminância, no dia 13 , com a oferta de um grande presente à Senhora das águas salgadas, o orixá Iemanjá. O evento-seminário foi organizado pela Secretaria de Cultura daquele município, que tem como secretário Rodrigo Velloso, um dos irmãos do cantor, e contou com a participação de Zulu Araújo, presidente da Fundação Palmares, com a historiadora Profª. Ana Rita Araújo Machado, entre outros discursadores.

 

 

Durante a festa dos 120 anos do Bembé do Mercado, a historiadora Ana Rita Machado faz sua exposição em seminário de que participaram Rodrigo Velloso, Mabel Velloso, Zulu Araújo, o prefeito Ricardo Machado e Caetano, entre outros. Foto: Toinho Simões | Agência A Tarde 13.5.2009

Durante a festa dos 120 anos do Bembé do Mercado, a historiadora Ana Rita Machado faz sua exposição em seminário de que participaram Rodrigo Velloso, Mabel Velloso, Zulu Araújo, o prefeito Ricardo Machado e Caetano, entre outros. Foto: Toinho Simões | Agência A Tarde 13.5.2009

 

 

As falas de Ana Rita Machado e de Zulu Araújo foram na direção de se recuperar a memória popular, negra e religiosa do Bembé do Mercado e assim, minimizar a mitificação em torno do nome da Princesa Isabel, vista pelas historiografias oficiais como a redentora dos negros no Brasil, e negar o projeto abolicionista efetivado com a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, sem garantir cidadania e inclusão social aos negros tornados livres.

A partir destas falas, consideradas eloquentes e inteligentes por Caetano, que o nosso autor de Trilhos Urbanos despejou seu discurso eloquente e criticou os movimentos negros brasileiros, apontando-os como meras cópias da negritude “norte-americana”, falou em atraso, em um aprisionamento ideológico datado nos anos 70 e que para se prosperar é preciso se fazer uma leitura mais ampla da Abolição, um fenômeno histórico considerado pelo cantor, como instrumento vital de emancipação sociopolítica dos humanos negros no Brasil, e que se deve falar em 13 de maio como conquista sem negar a importância da princesa Isabel neste processo.

Em entrevista coletiva para divulgar em Salvador seu trabalho mais recente, Zii Zie, um dia após as polêmicas desferidas em sua cidade natal, o compositor afirmou que os impedimentos de avanços e inclusão dos negros neste Brasil se devem muito mais a limitações da República do que um possível descaso legal por parte da Monarquia naquele período: “Se os negros não avançaram a culpa foi da República”.

Na órbita das revisões históricas em torno da Abolição, quem se filia a muitas impressões de Caetano Veloso é o seu conterrâneo, o poeta Jorge Portugal. Portugal acha que ao superestimar o papel de Isabel no 13 de maio, Caetano se lança numa provocação, mas não deixa de apontar reflexões muito relevantes para que tenhamos uma compreensão mais nítida da importância desta data na história brasileira.

Jorge Portugal comenta também outras reflexões que são emblemáticas e estão em sintonia com Veloso, as de Cristovam Buarque que afirmou: “O dia 14 de maio já foi melhor que o dia 12”; e do lustre militante do movimento negro Samuel Vida, advogado e professor universitário, que também defende uma releitura do 13 de maio para destacar os avanços que esse evento ocasionou aos nossos ancestrais de origem africana.

Hoje, Caetano faz 67 anos de vida, mais de quarenta de carreira, e com certeza, quase todos de polêmica e muita vanguarda, haja vista, reza a lenda, que foi ele quem escolheu o nome Maria Bethânia para sua irmã recém-nascida, quando ele tinha 4 anos; criou polêmica em casa, e ganhando na sugestão, acertou em cheio ao ajudar na afirmação de um nome artístico, o de sua irmã, como uma das marcas mais importantes do canto feminino no mundo contemporâneo.

 

*Marlon Marcos é jornalista e antropólogo

 

OFERENDA DOS PRESENTES - Cena da festa de tradição religiosa afro-brasileira. O BEMBÉ DO MERCADO é a festa popular que comemora a Abolição da escravatura, com apresentação de danças religiosas do Candomblé em louvor aos Orixás das Águas (Oxum e Iemanjá) em um caramanchão em frente ao Mercado Municipal de Santo Amaro. Há também exibições de maculelê, capoeira, afoxé e entrega do presente de Iemanjá. Tem grande significado para a afirmação da cidadania negra no Brasil. Foto: Joa Souza | Agência A Tarde 13.5.2007

OFERENDA DOS PRESENTES - Cena da festa de tradição religiosa afro-brasileira. O BEMBÉ DO MERCADO é a festa popular que comemora a Abolição da escravatura, com apresentação de danças religiosas do Candomblé em louvor aos Orixás das Águas (Oxum e Iemanjá) em um caramanchão em frente ao Mercado Municipal de Santo Amaro. Há também exibições de maculelê, capoeira, afoxé e entrega do presente de Iemanjá. Tem grande significado para a afirmação da cidadania negra no Brasil. Foto: Joa Souza | Agência A Tarde 13.5.2007

 

CAETÂNICOS ZUMBIS

 

por JORGE PORTUGAL

 

Um amigo santamarense que possui veleidades aristocráticas me disse – à beira das lágrimas emocionadas – do viva de Caetano à Princesa Isabel, no dia 13 de Maio, no Bembé do Mercado.

Certamente que um aguerrido militante como o professor Carlos Moore, ou mesmo Vilma Reis iriam à loucura ao ouvir uma coisa dessas. Eu, nem tanto. Aliás, lá mesmo em Santo Amaro, numa mesa de debates no sábado, ouvi da boca de Dr. Samuel Vida, para mim o mais competente quadro do movimento negro na atualidade, que “já estava mais do que na hora de se repensar a rejeição ao 13 de Maio”, bandeira assumida pelo movimento nesses últimos 30 anos.

Óbvio que enaltecer desmedidamente o papel da Princesa Isabel para negar o que os negros em movimento fizeram a partir de 1978 é mais uma provocação caetânica. Não rima nem de longe com o pensamento de quem escreveu a letra de Haiti – para mim, o mais contundente libelo contra o racismo e seus derivados em nossa contemporaneidade.

Mas, desde longe que me pus a pensar se não era exagero do MNU (Movimento Negro Unificado) descartar simplesmente tudo que significou – e levou – ao 13 de Maio de 1888.

No movimento abolicionista tivemos a presença de negros combativos e heróicos como o poeta Luís Gama, e tivemos também brancos sinceramente engajados com a causa como Joaquim Nabuco e outros tantos. Apagar-lhe a participação só porque tinham a pele clara e não propunham “enforcar o último branco nas tripas do último nobre”?

Sei também que o “13 de Maio” nos deu liberdade sem cidadania, a raiz profunda da sociedade excludente e injusta em que vivemos hoje. Contudo, como me disse o sempre iluminado Cristovam Buarque, “o dia 14 de Maio já foi melhor que o dia 12”.

Sei, por fim, que durante os últimos 30 anos, para construir e afirmar a história do movimento negro, foi preciso negar a Lei Áurea e colocar Zumbi no nosso altar-mor.

Entretanto, passados justamente os 30 anos, e com as primeiras vitórias colhidas pelo movimento (ações afirmativas e cotas, principalmente) já podemos assumir sem medo e sem culpa os parceiros de ontem e de hoje dessa luta comum. Aqueles a quem chamo de “negões da pele branca”.

Se Caetano deu vivas à Princesa Isabel, deveria ter dado vivas também à Condessa de Barral, conterrânea dele e amante do Imperador D. Pedro Segundo, abolicionista desde a primeira hora e que exerceu forte influência sobre o monarca e sua filha com suas idéias sobre a libertação dos escravos.

Digo tudo isso com a serenidade de quem coordenou na Bahia, na sede do Ylê Aiyê, a sessão histórica do senado em que os senadores Rodolpho Tourinho, relator, e Paulo Paim, autor da proposta, discutiram com o movimento negro da Bahia os termos finais do Estatuto da Igualdade Racial, que viria a ser aprovado dias depois na câmara alta.

Portanto, chega de posições excludentes e exclusivas. Na minha militância sócio-poética, continuo brandindo meu verso-enigma: minha pele é linguagem e a leitura é toda sua!

 

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13 DE MAIO

 

Dia 13 de maio em Santo Amaro

Na Praça do Mercado

Os pretos celebravam

(talvez hoje inda o façam)

O fim da escravidão

Da escravidão

O fim da escravidão

Tanta pindoba!

Lembro do aluá

Lembro da maniçoba

Foguetes no ar

Pra saudar Isabel

Ô Isabé

Pra saudar Isabé

(CaetanoVeloso- Noites do Norte/2000)



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